(AVISO NO FIM DO CAPÍTULO, LEIAM - e não me matem)
- O que? Do que você está falando? - Justin se aproximou de mim, e sua respiração acelerou. Levantei as sobrancelhas.
- Li um e-mail que Chaz mandou e ele fala de uma tal aposta entre vocês dois. Que história é essa? - Ele passou a língua nos lábios, procurando a resposta, e por incrível que pareça conseguiu desviar o assunto.
Ou pelo menos tentar.
- Então você abriu meus e-mails sem permissão, Anastasia? Isso é muito feio. Duvido que seus pais te deixam fazer isso.
- Para com...
- E além do mais isso é contra a lei, sabia? Posso te denunciar - ele sorriu de lado, nervoso, e se sentou do meu lado, devolvendo-me o iPhone. Coloquei-o em cima da cômoda e voltei a encarar Justin.
Ele passava os dedos um pelo outro, se ajeitava, mexia no cabelo, batia o pé no chão algumas vezes... estava se segurando, omitindo algo.
- Não tem nada sobre mim que você não saiba, Justin - falei chegando perto dele, sem desviar os olhos. - Me diz, por favor, o que você e ele combinaram? É alguma coisa relacionada a mim?
- Brincadeira de garotos, Ana, tudo entre amigos - ele deu de ombros, suspirando.
- Sei que não é só isso. Te conheço desde pequeno, você não é capaz de me enganar - inclinei a cabeça para baixo, acompanhando o olhar dele.
Não vou desistir tão fácil assim. Preciso saber o que está acontecendo, e agora é questão não só de curiosidade, mas de honra também.
- Fico triste vendo que você está escondendo coisas de mim. Achei que fôssemos melhores amigos - fiquei de pé e fui até a janela, fazendo drama.
Às vezes é preciso apelar e falar coisas que vão mexer com o psicológico da outra pessoa. Quase nunca faço isso, então não me culpo.
Justin me olhou, franzindo a testa.
- Nós apostamos que... que...
- Vai continuar com isso? Caramba, é só dizer! Se quiser eu não conto pra ninguém. Toda a merda que eu já fiz, te contei depois. A maioria delas você até participou junto comigo. Por que é tão difícil assim?
- POR QUE ABRIU MEUS E-MAILS? TAMBÉM TENHO PERGUNTAS E NÃO FICO REPETINDO-AS PARA VOCÊ, ANASTASIA - ele aumentou o volume da voz como quando contei a ele que perdi a virgindade, e isso fez com que eu baixasse a guarda.
Ele fica nervoso muito rápido, e costumo me esquecer disso. O engraçado é que ele pode perder o controle sempre, mas eu não.
- É assim, então? Eu estou errada por ter aberto seu e-mail? Valeu, desculpa, nunca mais faço isso. É sinal de que lá tem mais segredos seus que não posso saber - Justin bufou, abrindo e fechando os olhos em seguida, numa sequência. Ele está tentando se acalmar.
- Olha, foi mal, mas tem umas coisas me incomodando e eu preciso resolvê-las ainda hoje - ele disse, ficando de pé, e vindo em minha direção em passos lentos. Olhou-me nos olhos, levantando meu queixo com o polegar, e beijou a ponta de meu nariz, fazendo-me sorrir. - É sério, desculpa. A aposta não é nada demais, coisa imbecil. Eu e Chaz combinamos de fazer uma coisa, e nenhum dos dois cumpriu. Relaxa.
- Ele vai fazer alguma coisa com você? - Sussurrei.
- Eu acho que não - respondeu com a voz falhada. Coloquei a mão em seu braço e desci-a, segurando a mão dele em seguida.
- Estou aqui pra tudo, ok?
- Eu sei, e o mesmo serve pra você, Ana - sorriu com os lábios. - Agora eu preciso mesmo ir. Te ligo mais tarde.
Assenti com a cabeça, despontada por não ter conseguido descobrir sobre o que a aposta se trata, e juntos descemos a escada. Ele tinha em mãos tudo que trouxe para cá, e quando abriu a porta me deu outro beijo delicado, dessa vez na bochecha.
- Se sua mãe ligar diga que estou com saudades das panquecas dela - riu.
- De novo? Vocês acabaram de se falar.
- E daí? Ela é muito legal, bonita, simpática, carismática, diferente da filha... - fiz um O com a boca, demonstrando surpresa, e dei um tapa no peito de Justin, fazendo-o arquear para trás.
- Não fale assim de mim!
- Uow, desde quando você se tornou tão forte? Estou impressionado - fez bico de satisfação e deu outra risada, indo para a calçada, sabendo que se estivesse perto de mim levaria outro tapa.
Mostrei a língua e acenei com a mão. Ele ia falar alguma coisa mas fechei a porta antes que isso acontecesse. Dei uma risada.
- Imbecil - disse comigo mesma.
Voltei para meu quarto e fui até o "Armário de Lembranças" que fica no cantinho. É pequeno, foi feito para guardar roupinhas de boneca, mas depois que doei-as ele ficou vazio e decidi criar um lugar para guardar coisas que me fazem lembrar do passado. Tem coisas normais e anormais, desde fotos até um pedaço do pelo da minha cadela, Maggie, que morreu a 2 anos atrás. Quando nasci meus pais compraram ela, e ela acompanhou todo o meu crescimento. Abri a portinha e tirei uma pequena caixa. Nela tem fotos minhas com minha avó, que mora no Texas, quando eu tinha 5 anos. Fotos com Justin, Lilly, Ryan, meu maior ídolo - Michael Jackson e outros cantores. Tive a sorte de conhecer ele com 13 anos. Meu pai foi um dos sortudos que conseguiram ingresso VIP pro show dele, e teve direito a M&G depois. Vou me lembrar de cada momento como se fosse ontem, para o resto de minha vida. Olhar isso tudo é gostoso porque me dá a sensação de que as coisas eram perfeitas, e a tendência é ficar melhor. Fiz uma expressão indefinida quando vi uma foto minha e Chaz, ele me beijando e eu dando risada das coisas que Ryan falava. Ele dizia "Chaz quer te comer, Ana, não deixa, espera eu bater a foto primeiro. Ai, seus safadinhos!", tudo isso só para atrapalhar. Inclinei a cabeça em meio a pensamentos.
O que será que ele e Justin apostaram? Isso está me matando. Há milhões de possibilidades, e sou incapaz de descobrir qual é a certa. Talvez não seja nada demais, mas se realmente não fosse, Jus me contaria. Suspirei. Meu celular começou a tocar, guardei tudo rapidamente e fui até ele. Na tela estava escrito Barbara.
- Alô? - Respondi sem ter noção de que Barbara era.
- Anastasia? É a Barbara, da festa do Ryan - riu.
- Ah, oi.
- Antes que você pergunte, ontem gravei meu número no seu celular. Você não se importa, não é?
- Claro que não, sem problemas.
- Ah, ótimo - suspirou de alívio. - Só queria perguntar se você sabe onde o Matt está. Ele saiu da festa de madrugada e até agora não deu sinal de vida. Eu já liguei várias vezes e nada - mordi o lábio.
- Você sabe onde ele mora?
- Sim, posso te dar o endereço se quiser.
- E por que... por que você não vai lá, ao invés de eu ir? - Perguntei um pouco tímida. Ela sorriu, sarcástica.
- Estou em outra festa, Ana. Eu não curto muito ficar em casa em pleno Sábado.
- E você não fica enjoada pelas bebidas, nem cansada por dançar tanto? - Riu novamente. Aquilo me deixou um pouco irritada mas disfarcei.
- É disso que eu gosto, meu amor. Garotos, bebida, dança, putaria, sexo, ficar de roupa íntima... se você se juntar a mim vai ver como esse lado da vida é bom.
- Por enquanto não quero isso, mas obrigada - sorri fraco. - Pode falar a rua, vou procurá-lo agora.
- Ok, anota aí.
Ela me disse o endereço, me deu os pontos importantes pra que eu não me perdesse e depois de alguns minutos, em meio a gritos do pessoal que está na festa, ela desligou. Bufei com tanta energia que ela passa até por celular e fui ao closet. Coloquei uma roupa, pois estava de pijama, peguei as chaves de meu carro e fui para fora. Tranquei a porta, entrei no mesmo e dei partida. Dei uma olhada rápida na casa de Justin e sua Range Rover não estava lá.
Provavelmente ele ainda está resolvendo o problema que estava incomodando-o.
Dirigi devagar até a casa do Matt, tomando cuidado para não me perder, e parei no número que Barbara me informou. 349. Desliguei o carro, saí lentamente e olhei para os lados. Algumas crianças brincavam e meninos jogavam bola. Eles pararam pra me olhar, fizeram cara de safados mas não dei confiança. Com a chave nos dedos e iPhone, abri a portinha de cerca e fui até a porta em seguida. Apertei a campainha e tentei olhar pelas cortinas da janela direita se havia alguém na sala, mas não consegui ver nada. Após alguns minutos apertei-a de novo e, impaciente, me virei para ir embora.
- Ele não está aqui - sussurrei.
Mas de repente ouvi o barulho da maçaneta sendo destrancada, e abrindo logo em seguida, com um tipo de ruído. Olhei-a imediatamente e vi Matt com o cabelo bagunçado, olhos inchados, samba canção e sem blusa. Ele coçava o peito e, ao levantar a cabeça e me ver, ficou surpreso.
- O-oi... Anastasia. O que você está fazendo aqui? - Perguntou, confuso.
- A Barbara me ligou e disse que você sumiu. Vim checar se está tudo bem com você - sorri sem jeito.
- Sim, está, e agradeço por se preocupar - ele olhou para si mesmo. - Nossa, olha como eu estou! Me desculpa, não sabia que viria, então...
- Que isso, não tem problema, eu que sou uma abusada de ter decidido vir e não ter falado nada. Ligue para Barbara e avise que não aconteceu nada, ela está preocupada - fiz um sinal com os dedos e, quando me preparava para voltar ao carro, Matt me surpreendeu com um pedido.
- Não quer entrar? Eu estava planejando tomar um banho e ir ao Starbucks. Um café com chocolate é sempre bom pra despertar.
Sorri de lado, felicíssima, e encarei-o.
- Sim, eu adoraria - respondi entrando, e me sentando no sofá em seguida.
Na TV passava um documentário sobre Frank Sinatra, e me apoiei no braço do mesmo para assisti-lo.
- Gosta dele? - Disse, puxando assunto.
- É um clássico.
- Uhum, é... - ele se sentou do meu lado, colocando uma pequena almofada em cima da barriga para escondê-la. Ri. - O que foi?
- Nada.
- Olha, queria me desculpar por ter ido embora no meio da madrugada... eu fiquei tão confuso. Fizemos aquilo tudo e cacete, você era virgem, eu estraguei tudo. Meio que me aproveitei por você estar bêbada - disse rapidamente, sem me dar chance de falar nada. Olhei-o.
- Quando eu acordei e fui pra casa chorei no ombro da minha melhor amiga - ele arregalou os olhos, e quando ia se preparar para voltar a desculpar-se, continuei. - Mas ela me disse coisas que fizeram eu pensar de outra maneira. Foi muito bom, Matt. Estou feliz que tenha sido com você. Não foi o príncipe com o qual sonhei, não é o garoto que namoro a vários anos, não é o cara com quem vou me casar, mas isso não muda o fato de que foi maravilhoso e inesperado.
- Te machuquei? - Perguntou, envergonhado.
- Não, nem um pouco. Por incrível que pareça só senti prazer - corei ao terminar a frase. Ele sorriu.
Ah, que sorriso...
- Isso faz eu me aliviar de um jeito que você não faz ideia! Me martelei a manhã inteira pensando nisso. Acho que deveria ter te esperado acordar para levá-la até em casa.
- Sim, afinal eu fiz muito mais do que havíamos combinado, lembra? - Ele gargalhou, inclinando a cabeça para trás.
- Me desculpe por isso, fico te devendo uma carona - levantou-se e deu alguns passos, em seguida voltou. - Falando nisso, como conseguiu meu endereço?
- A Barbara me passou por telefone. Ela está realmente muito preocupada com você. Não se esqueça de ligar.
- Ah, claro - respondeu, distraído, e jogou o controle remoto para mim. - Se quiser trocar de canal, é com você. Desço daqui a pouco, não vou demorar no banho.
- Estarei aqui - respondi piscando e cruzei as pernas, acomodando-me no sofá.
É incrível como o mundo dá voltas. No começo dessa semana eu era só uma virjona fazendo faculdade de arquitetura, e agora sou uma garota que perdeu a virgindade com um garoto gostoso que conhecia a menos de 5 horas, e está sentada no sofá da casa dele, esperando-o para ir ao Starbucks. Que loucura.
Revirei os canais e parei na Warner, onde passava Friends, minha série preferida. Fiz um coque em meu cabelo e esperei-o. Depois de alguns minutos ele desceu as escadas, e a partir do terceiro degrau já fui capaz de sentir seu cheiro. Perfume masculino... não há nada melhor que ele. Quando olhei Matt de rabo de olho o vi com uma calça jeans que deixava a borda de sua cueca a mostra, Vans, blusa gola V e cabelo bagunçado, e um pouco arrumado. Uma combinação perfeita. Ele se aproximou de mim e fingi que era indiferente.
Revirei os canais e parei na Warner, onde passava Friends, minha série preferida. Fiz um coque em meu cabelo e esperei-o. Depois de alguns minutos ele desceu as escadas, e a partir do terceiro degrau já fui capaz de sentir seu cheiro. Perfume masculino... não há nada melhor que ele. Quando olhei Matt de rabo de olho o vi com uma calça jeans que deixava a borda de sua cueca a mostra, Vans, blusa gola V e cabelo bagunçado, e um pouco arrumado. Uma combinação perfeita. Ele se aproximou de mim e fingi que era indiferente.
- Estou bonito? - Perguntou, sorridente.
- Sim, bastante.
- Gostoso?
- Não exagera - me levantei, brincalhona, e desliguei a TV. Ele fez biquinho.
- Poxa...
- Esse banho melhorou muito sua cara. Desculpa falar, mas você estava parecendo um drogado.
- Me ofendeu! - Ele se fingiu se bravo e mostrei a língua, ajeitando minha blusa.
- Vamos?
- Sim, vamos, mas ainda assim você me ofendeu, mocinha - ri.
E aqui estou eu, Anastasia Steele, indo a uma cafeteria com o garoto com quem tive minha primeira vez - que foi, digamos, mais que foda.
PELO AMOR DE DEUS, ME DESCULPEM PELA DEMORA ABSURDA PRA POSTAR! A escola tá muito puxada, e tô fazendo de tudo pra me esforçar nela. Eu copio tanto que meus dedos e pulsos doem, daí não consigo usar o PC. Tô até largando um pouco o FC. Mas eu prometo que vou postar mais aqui, juro, juro mesmo!
Mas e aí, o que estão achando? Tá bom? Obrigada por continuarem aqui. Beijinhosss.

