28 de fevereiro de 2013

Troublemaker; Capítulo 14 — Bet?


(AVISO NO FINAL DO POST, LEIAM)
- O QUE? - Ele levantou, respirou fundo e me olhou. Seus olhos estavam vermelhos e seus lábios afastados, como se ele tivesse tentando fazer a respiração voltar ao normal. Me assustei com seu grito. - COMO ASSIM, ANASTASIA? ELE TE FORÇOU? O QUE ACONTECEU? PORRA, ELE TE MACHUCOU? VENHA AQUI, DEIXE-ME VER - Justin se aproximou de mim novamente e apalpou meus braços, coxas e analisou todo o meu pescoço. Suspirei, ficando de pé em sua frente.
- Calma, calma! Ele não me forçou a nada, eu também quis.
- MAS CARALHO, VOCÊ É A ANASTASIA, ANASTASIA STEELE, A MINHA MELHOR AMIGA, A PEQUENA QUE CORRIA COMIGO POR AQUELE JARDIM - Ele apontou para a porta que dava em direção a piscina, em volta dela havia grama e algumas flores que estão aqui desde que eu nasci. Passei os dedos pela testa e engoli seco, tentando encontrar palavras que o fizessem se recompor.
- Justin, eu não sou mais criança. Hoje em dia é um absurdo uma garota da minha idade ser virgem e... poxa, o Matt é bonito, legal, e hesitou um pouco antes de começarmos a fazer tudo - enrubesci, passando os olhos por toda a cozinha.
- MAS É CLARO, ELE TEM JUÍZO! VIU QUE NÃO ERA A MERDA DA HORA CERTA! - Ele andava de um lado para o outro perto da bancada da cozinha. Passou os dedos pelo cabelo e eu podia ver gotas de suor descendo pelo seu rosto
Isso é tão estupido. Desnecessário. Escandaloso.
Bosta.
- Justin, a alguns minutos atrás você disse que não é meu pai, nem namorado, etc e tal. Pra que isso?
- PRA QUE ISSO? VOCÊ TRANSOU, FODEU, FEZ SEXO. E PIOR AINDA, COM UM GAROTO QUE CONHECEU A, NO MÍNIMO, 3 HORAS! ACHA ISSO BONITO? DIGNO DE UMA STEELE? 
O tom de Justin continuava alto e rígido. Era como se ele quisesse impôr regras a mim. Fala sério, ele não pode fazer isso. Mas espera...
- ENTÃO É COM ISSO QUE SE PREOCUPA? O NOME DA MINHA FAMÍLIA? - Não consegui conter os gritos quando finalmente me toquei do que ele havia dito. Como Justin pôde ser tão baixo?
- NÃO TENTE MUDAR O ASSUNTO, VOCÊ...
- EU TE CONTO COM TODA A VERGONHA DO MUNDO QUE PERDI A VIRGINDADE ONTEM E É ISSO QUE ESTÁ REALMENTE INCOMODANDO SUA CABEÇA? O FATO DE UMA STEELE TER... - Não fui capaz de terminar a frase. Lágrimas insistiam em descer por meus olhos, mas com toda a certeza do mundo não vou deixar que isso aconteça.
Não mesmo.           
- O PROBLEMA NÃO É ESSE! - Ele se virou e depois fez a mesma coisa. Quando viu o meu estado abriu e fechou os olhos, olhou para baixo e deu de ombros, ainda mostrando o quanto estava indignado. Seu tom finalmente baixou. - Eu não esperava que fosse fazer isso. Não conseguiu fazer comigo, mas fez com outro. Um puto que cursa advocacia na nossa faculdade - ele se sentou novamente e apoiou a cabeça nas mãos, relaxando. Suspirou. 
- A vagina é minha, e a vida também. Você não pode falar essas coisas pra mim como se fosse problema seu! - A raiva ainda tomava conta de parte de mim. Eu esperei que ele não reagisse bem, mas as coisas que disse me feriram de um jeito profundo. Não vou esquecer tão rápido quanto ele quer. Justin arregalou os olhos.
- O que está acontecendo com você? Ana, você não é assim.
- Não vem com esse caralho de "blablabla Ana", "blablabla Anastasia", "mimimi Aninha". Que tipo de melhor amigo se importa mais com o sobrenome da melhor amiga do que as coisas que aconteceram com ela em sua primeira vez? Puta merda, eu sou uma idiota. Onde eu estava com a cabeça quando tomei coragem de te dizer que transei ontem?
- Ana, senta aqui. Olha, me desculpa, eu não podia...
- É, tem razão, não podia mesmo. Mas quer saber? Vou começar a pensar do jeito que Lilly falou - ele levantou as duas sobrancelhas, aguardando eu terminar a frase. - Transei com Matt sim, foi uma foda muito boa, e eu espero que a gente se veja mais vezes. Chega uma hora que cansa agradar as pessoas.  
Justin segurou minhas mãos, fazendo com que eu não dissesse mais nada, e me sentou em suas pernas.
Merda, odeio quando ele faz isso.
Ele colocou uma mecha de meu cabelo para trás e me olhou. Eu tinha certeza que estava vermelha de raiva, com a respiração ofegante e não conseguia parar de mexer em meus dedos para me controlar. Ele pôs o dedo em meu queixo, levantando meu rosto em seguida.
- Você não me desagradou. Só é... confuso.
Não respondi.
- Estávamos tão bêbados, eu mal sabia o que estava fazendo. Num minuto me desculpo por ter tentado transar com você, e em outro você me conta que perdeu a virgindade com um cara que, cá entre nós, eu não gostei muito.
- Mas...
- Sh, deixe-me terminar - ele me interrompeu, e foi o que fiz. - Você está certa. A vida é sua e você faz com ela o que bem entender, mas é inevitável não me preocupar com você. Ainda mais porque fui em quem te levou para aquela festa... maldita hora que fiz isso - ele praticamente sussurrou a última frase. No fundo se sentia culpado, e achava que eu havia feito tudo por impulso.
Meus hormônios se acalmaram depois de um curto tempo e decidi finalmente falar.     
- Justin, eu fiz tudo aquilo porque quis. Matt é um cara legal. E bem, não é porque perdi a virgindade que deixei de ser a sua garota - ele sorriu de lado, demonstrando fraqueza. É péssimo vê-lo assim. - Acho lindo da sua parte se importar tanto com o fato de eu não ser completamente "pura", mas sei me cuidar. Me deixa muito feliz e aliviada saber que tenho alguém aqui, por mim - inclinei a cabeça, tentando ser o mais fofa possível. - E sabe quem é esse alguém? - Ele fez um sinal de não e ri. - Você, seu bobo.
Ele corou e beijei suas bochechas, fazendo aquele clima ruim ir embora aos poucos.
- Foi bom? - Perguntou do nada. Terminei de beber o último gole de meu Red Bull e olhei-o.
- Sim.
- Doeu?
- Mais um menos.
- Você sangrou, Ana? - O olhei sem entender.
- Justin!
- Ué, você queria falar sobre isso, e agora eu quero detalhes - ele riu, irônico.
- Idiota - revirei os olhos, levantei-me para começar a arrumar tudo e me lembrei de uma coisa. - Aquilo que você disse... você... você está mesmo preocupado apenas com o nome que carrego? Steele?
Justin sorriu com os lábios.
- Anastasia, eu estou preocupado com tudo que envolva você. Estou preocupado por ver que você está crescendo. Estou preocupado por saber que alguém te beijou em lugares onde ninguém havia beijado antes. Estou preocupado por notar que você não é tão inocente quanto antes. Estou preocupado e ao mesmo tempo orgulhoso. Você está amadurecendo - beijou minha testa.
Bieber fofo é uma coisa rara, preciso guardar esse momento de alguma maneira.    
- E isso é ruim? - Sussurrei.
- Não, é ótimo. Só não quero que você mude, ou uma coisa pior, se afaste de mim.
- Isso nunca vai acontecer, somos melhores amigos. Você é meu super herói.       
Ele deu seu melhor sorriso, e assim vi que estávamos realmente bem.

Justin e eu estávamos sentados na cama enquanto ele me mostrava gravações de músicas dele em seu MacBook. Ele foi até sua casa buscar só porque queria que eu ouvisse. Não faz tanta diferença já que ele mora do meu lado, enfim.
- São ótimas, a sua voz é maravilhosa - sorri.
- Modesta a parte, eu também acho - fez cara sexy e revirei os olhos.
- Uhum, é.
Ele sabe tocar violão, bateria, piano, trompete e outras coisas mais. A maioria aprendeu sozinho e acho isso incrível. Eu não tenho coordenação para tocar nada. Ele começou a cantar por diversão e agora leva isso realmente a sério. Quer seguir carreira mas diz que não vai forçar nada. "Deus sabe o que faz e minha hora vai chegar, basta eu nunca dizer nunca", é praticamente seu lema. Se eu entendo? Nem sempre. Mas ele é o Justin Drew Bieber, nunca o entenderei completamente. Ele dá tudo de si na faculdade e sei que muita coisa boa ainda vai acontecer na vida dele. Sem contar que ele canta muito, de verdade, tem talento, e merece ser reconhecido.
- Me promete uma coisa? - Ele continuava distraído, olhando para a tela.
- Diz - respondeu rápido.
- Se um dia você ficar famoso, ganhar fãs e muito dinheiro... não vai se esquecer de mim. Promete isso? - Ele me olhou, desconfiado.
- Pra quê prometer? Não confia em mim quando digo que nossa amizade é eterna?
- Não é isso, mas...
- Sem mas. Nada garante que eu vá me tornar famoso, e não concordo em prometer coisas - suspirei, deitando-me com a cabeça encostada no travesseiro. - Mas se isso te deixa mais calma, sim, eu prometo que nunca vou te esquecer, que vou te levar pra conhecer o mundo inteiro comigo e que minhas fãs te conhecerão como minha fiel melhor amiga.
Sorri de orelha a orelha com cada palavra e pulei em seus braços, jogando-o no colchão. Envolvi meus braços em sua nuca e minha felicidade era óbvia.
- Você é tão lindo! Ah, eu te amo tanto - sussurrei para mim mesma, mas ele conseguiu ouvir. Sorriu fraco próximo de minha orelha.
- Eu também te amo, coisa linda - fez carinho em meu cabelo.
Me sentei em seu quadril e rapidamente me lembrei de tudo que fiz por cima de Matt naquela pequena cama, ontem. Balancei levemente a cabeça para afastar as lembranças eróticas e olhei Justin, que fazia o mesmo.
- Torço tanto para que você consiga realizar seus sonhos! Você é demais. Nasceu para isso.
- Eu também torço.
- E sua mãe, seus avós, seus irmãozinhos...
- Não exagera! Eles ainda são pequenos, Ana - fiz biquinho.
- Mesmo assim, tenho certeza que eles adoram ouvir essas músicas, não é? - Deu de ombros.
- Sim, nas raras vezes que eles vêm aqui sempre coloco para que ouçam.
- Relaxa. Você vai começar a vender milhares de CDs ao redor do mundo, e assim terá dinheiro de sobra pra visitar a Jazzy e o Jax no Canadá.
- E meu pai também - sorriu.
- Isso! Não fica triste por causa deles, ta bom? Você só está começando a vida, e merece tudo de bom - me inclinei e mordi a pontinha de seu nariz, fazendo com que Justin fizesse uma cara engraçada. Sorri e voltei para a cama, cobrindo-me e relaxando as costas na mesma.
Justin voltou para o MacBook após me dar um beijinho rápido no ombro e meu iPhone tocou.
Mamãe.   
- Anastasia? Você está aí?
Ah, a voz da mamãe. Que saudade!
- Hey mãe! Sim, estou - sorri. - Você está bem?
- Nossa, você não imagina o que seu pai fez! Caramba, eu não tinha ideia que ele havia guardado os votos do casamento e tudo mais. Filha, ele parou na ponte mais conhecida desse lugar e fez uma coisa completamente fofa. Digna de príncipe! - Eu ria e tentava abafar. Coloquei no viva voz para que Justin ouvisse tudo e ele sorriu como eu, encantado com a animação de mamãe.
- Que maneiro, mãe!
- Eu não acredito que você não havia me contado! Eu teria ficado menos surpresa, poxa.
- Mas esse era o objetivo, te surpreender, senhora Steele.
- E tudo é tão lindo aqui, Anastasia. Estou levanto várias lembrancinhas para você. Você ficaria apaixonada por cada canto do hotel. As lojas! Nossa, as lojas, puts... - Ri.
- Mãe, calma, você precisa guardar novidades para quando chegar em casa.
- Isso é o que não vai faltar - sorriu. - E ontem, você saiu? Sexta feira, você é adolescente... isso é típico - suspirei e coloquei o cabelo para trás. Justin me encarou como se estivesse esperando minha resposta.
Era como se ele dissesse com o olhar: "vai mentir ou dizer a verdade?"
- Sim mamãe, eu saí. Mas não se preocupe, estava com Justin - ela soltou um suspiro de alívio.
Por quê todos confiam nele dessa maneira?
Porra, posso me cuidar sozinha.
- E como ele está?
- ESTOU ÓTIMO, DONA CARLA! - Justin gritou, entrometido, e roubou o celular de minha mão. Cruzei os braços.
- Oh, você está aí! É melhor assim - disse ela, e ele me olhou, convencido. Bufei.
- Você não sabe o que sua filha fez ontem... tentei impedi-la mas a senhora sabe, ela é muito teimosa - ele se levantou da cama bem devagar para que eu seguisse todos os seus movimentos, e cheguei perto dele lentamente, pronta para dar o bote.
- Não se atreva a contar isso a ela, ou perco a confiança em você! - Eu disse com os lábios, sem deixar que som nenhum saísse de minha boca. Ele estava com uma expressão irônica que me deixava com muita, muita raiva.
- Ai Deus, o que ela fez? - Respondeu mamãe, preocupada. 
- Seu babaca, pare com isso! - Disse baixo.
- Nós chegamos numa festa na casa do Ryan e ela...
Justin fazia aquilo ser um tipo de tortura a cada segundo que passava e ele analisava consigo mesmo se era ou não uma boa ideia contar o que havia acontecido na noite passada.
Ela...
Ela...
Ela...
- Ela ganhou de mim numa batalha de licor de pimenta! Dá pra acreditar? - Suspirei e me joguei na cama. Todas as partes de meu corpo relaxaram de um modo indescrítivel e eu fechei os olhos, aguardando o final da conversa deles.
- É, quem diria, Ana é mais forte do que pensávamos - sorriu.
O MacBook fez um barulho baixo e me aproximei dele sem que Justin visse. Havia uma nova mensagem no e-mail e eu não hesitei para abri-la.
Eu e Justin não temos segredo.
Me decepcionei quando vi que era de Chaz. Nela estava escrito:

De: Chaz Somers
Para: Justin Bieber
Assunto: Aposta

E aí cara, como foi a festa? Para mim foi completamente ótima. A única parte ruim foi ver minha Ana se amostrando daquela forma na piscina, mas as garotas são assim mesmo. Além do mais, o que é bonito tem de ser mostrado ;) Vou direto ao assunto deste e-mail. Você conseguiu cumprir nossa aposta, meu chapa? Lembre-se que se não, você sofrerá uma pequena consequência. Espero que esteja preparado. 

Fiquei olhando para a tela por alguns segundos sem entender nada. Talvez esta seja uma coisa íntima do Justin, mas por o que eu saiba nada é tão íntimo entre nós. O olhei e ele sorria de leve enquanto desligava a ligação com minha mãe. Me olhou e sua face mudou quando ele viu que eu estava desconfiada de alguma coisa.
- Justin, que história é essa de aposta? O que você combinou com Chaz?


Coisas lindas, me desculpem pela demora, estão acontecendo umas coisas na minha vida e isso faz eu perder a animação pra escrever. Fiquei doente, meus pais não param de brigar, minha mãe quer dar minha guarda pro meu pai, dois garotos que eu amava me deixaram na mesma semana, voltei a estudar na escola onde eu sofria bullying... barra, viu. Mas prometo que vou voltar com força pra cá. Espero que gostem!
Beijos

20 de fevereiro de 2013

Troublemaker; Capítulo 13 — Game and toast.


P.O.V. Anastasia.
- Ai, ai! - Gritava Justin, entre gargalhadas. Eu ria junto enquanto me sentava em cima de seu quadril. Coloquei as mãos em seus braços e posicionei-as sobre o chão, deixando-o sem saída. - SAI DE CIMA DE MIM, VOCÊ É PESADA! - Abri a boca fazendo-me de surpresa e cerrei os olhos.
- Você me chamou de gorda, ou é impressão minha? - Enfiei as unhas em sua pele e ele gemeu. Ri.
- É só impressão, Aninha. Você sabe que tem um corpo lindo, mas...
- Mas sou gorda? Lembro-me que ontem um tal garoto de olhos cor de mel e cabelo arrepiado disse que sou muito sexy. - Ele riu.
- Você sabe que é. Toda garota tem suas táticas para seduzir um homem - me olhou.
- E na festa eu... - fui abaixando o tom de voz, envergonhada. - Te seduzi?
- Mais ou menos. Você é linda e não posso deixar de reparar isso só porque sou seu melhor amigo.
- Você me deixou confusa - suspirei, soltando-o e ficando de pé, ajeitando a calça de meu pijama logo em seguida. Ele ficou na minha frente, encarando-me.
- Por quê?
- Somos amigos a tanto tempo e do nada você tenta transar comigo, para de repente e no dia seguinte temos que fingir que nada aconteceu.
- Mas estava tudo tão esclarecido quando cheguei aqui. Qual o motivo desses seus pensamentos logo agora? - Dei de ombros.
- Eu não sei. Tenho medo de perder você por alguma estupidez. E não existe estupidez maior que estragar uma amizade que se tornou amor.
- Ei - ele colocou os dedos em meu queixo, fazendo-me olhar para ele. - Nós estávamos bêbados e nos divertindo como qualquer adolescente. Anastasia, você é incrivelmente atraente e tenho certeza que deixou todo o garoto que estava naquele lugar louco - sorri fraco. - Principalmente os que ficaram com você na piscina - minhas bochechas ficaram vermelhas no mesmo instante em que ele disse isso. - O que estou tentando explicar é que eu também sou homem e fiquei gamado por aquele seu vestido rosa todo coladinho no corpo. Eu queria saber como era beijar a melhor amiga, e tenho muita sorte. - Olhei para ele sem entender. - Tenho sorte porque minha melhor amiga é uma gata - ele aproximou nossos rostos e sussurrou como se fosse segredo. Ri e dei um tapinha em seu peito, mas ele continuou no mesmo lugar. - Nada vai mudar entre nós. E pare de ficar se martelando por achar que fez algo errado. Está tudo bem.
Após alguns segundos Justin olhou para a parede sem desviar seu olhar. Ele parecia pensar numa coisa que o amedrontava. Fiquei apreensiva.
- Tem certeza que está tudo bem? - Perguntei. - Justin, você quer alguma coisa? Parece que está com a cabeça longe - continuei sem resposta. O cutuquei várias vezes até que ele voltou a terra e tossiu para disfarçar.
- Não quero nada, valeu - sorriu.
- Você fez alguma besteira ontem?
Justin não me engana. Ele pode passar por cima do Ryan, Christian e até Pattie, mas eu sou mais difícil. Ele colocou as mãos nos bolsos.
- Se eu tivesse feito você já saberia.
- Então por que ficou olhando pro nada e lembrou-se de tudo? - Engoliu seco.
- Para de ficar fazendo tantas perguntas, parece um interrogatório!
O clima ficou pesado e até pensei em deixá-lo ir pra casa e colocar tudo em ordem, ele parece muito atarefado. Mas se ele quisesse fazer isso já teria descido as escadas. As coisas mudaram tão rapidamente.
Mas não vou deixar que isso estrague meu dia, que por sinal está só começando.
- Acho que você se esqueceu de uma coisa - levantou as sobrancelhas.
- O quê? - Respondeu curioso.
- EU VOU SER O PLAYER UM! - Gritei com um enorme sorriso no rosto e os braços pra cima, como uma criança feliz. Corri bem rápido, de uma maneira que ele não conseguiu me alcançar nem segurar, e abri a porta de meu quarto. 
Fui direto para a mesinha que fica embaixo da TV e segurei o controle principal. Justin apareceu na porta, ofegante, com a mão sobre o peito.
- Tentando fazer o ar voltar? - Perguntei irônica e ele revirou os olhos, irritado. Mostrei a língua.
Ele se sentou na beirada da cama e jogou o iPhone em cima dela, ficando com os bolsos vazios. Se aproximou de mim e pegou o outro controle, passando a fitinha sobre o pulso e segurando-o.
- Beleza, o que vamos jogar?
- Que tal Just Dance do Michael Jackson? Você adora - sorri e ele sorriu no mesmo instante. É tão fã do Michael que chega a ser impressionante. Seus olhos brilhavam enquanto eu procurava o jogo no Memory Card através de toda a tecnologia da TV e apertei. As músicas foram aparecendo e eu ia passando até selecionar a que mais gosto. Enquanto isso Justin tirava seus tênis e meias, ficando completamente confortável. O olhei, reprovando-o pela bagunça. Riu.
- Su casa, mi casa - falou com um toque espanhol e bufei. 
Escolhi The Way You Make Me Feel, uma das minhas preferidas. Justin mexeu a cabeça para a direita e esquerda, em seguida fez movimentos circulares com os ombros e balançou as pernas para se aquecer.
- É só um jogo, não uma competição.
- Você sabe como sou com essas coisas, meu amor.
- Nossa, que gay - ri, zoando-o, e ele fez cara de bravinho. Cheguei perto dele e beijei sua bochecha, o game ainda carregava para dois.
- Eu vou ser o Michael, certo?
- Claro. Prefere ser a mulher e se tornar um gay completo? 
Para revidar Justin envolveu os braços em meu quadril e me apertou. Dei um grito e ri, sentindo meus pés tocarem o chão.
- Seu idiota!
- Obrigado pela parte que me toca.
- De nada, imbecil - falei num tom grosso e nos posicionamos na frente da TV, nos concentrando.
- Preparada?
- Como eu sempre digo: já nasci preparada.
- Cadê a parte do "meu amor"?
- Essa eu deixei com você. Saindo da sua boca percebi o quanto é bleh.
Ele fez um não com a cabeça e ignorei. A música começou e lentamente fui seguindo todos os passos que a boneca fazia. Me atrasava com alguns, mas depois fui pegando o jeito. É maravilhoso o jeito como Justin dança bem. Deve ser a 5º vez que dançamos essa dança e ele sabe todos os passos sem precisar olhar na TV. Ele consegue ser sensual e masculino ao mesmo tempo. Faz movimentos certos com o quadril, fazendo pressão na bunda e colocando a parte de lá para frente, deixando-a bem visível. Deixei os pensamentos de lado para não me distrair e continuei junto com ele, deixando-me levar. Nós ríamos na maior parte do tempo. Na outra Justin imitava as caras e bocas de Michael, e eu tentava fazer as da dançarina metida que não dava confiança nenhuma para ele.
- You really turn me on - ele cantarolava junto com Michael, tentando chegar o máximo perto de meu ouvido. Ri pelo nariz, tentando não errar. - You knock me off of my feet... - fiz um passo certeiro. - My lonely days are gone - beijou minha bochecha, fazendo-me rir mais uma vez.
Após mais algumas batidas e sussurros ao fundo, a música acabou e fizemos uma pontuação ótimo. Por incrível que pareça a minha foi maior que a dele.
- Isso aí tá errado, eu danço bem melhor que você!
- Hey! - Fiz cara de brava, ele riu.
- Desculpa, mas é a verdade. Sou o melhor desde a época da escola. 
- Quem fazia parte das líderes de torcida mesmo? - Falei, irônica. - Ah, é.
- Quem dança mais nas festas que seus pais fazem? - Me olhou como se fosse óbvio. - Ah, é.
- A gente se junta na pista de dança e arrasamos, não é você sozinho.
- Garanto que eu faria tão bem quanto faço quando estou com você - fingi tristeza.
- Então pra você é indiferente estar comigo ou não? - Fiz biquinho, ele inclinou a cabeça e me abraçou pelo ombro, beijando o topo de minha cabeça.
- Claro que não, você sabe o quanto é importante pra mim - o olhei como se fosse responder algo carinhoso e o empurrei, enfurecida.
- Foda-se! Quero revanche. Vamos ver se alguma vez você consegue ganhar de mim. Se preferir posso até reiniciar o XBox pra você não vir com a desculpa que manipulei.
Justin riu.
- Uh, ela ficou nervosa.
- Odeio quando me desafiam. Pior ainda, quando me subestimam - falei entre dentes. - Vamos escolher um nível bem difícil - ele olhou para a TV enquanto eu fazia o mesmo esquema de antes.
- Tem certeza que quer fazer isso? Olha, eu estava brincando...
- Qual é, tá tentando esconder o medo colocando o peso sobre mim? - Sorri sarcástica. - Agora você vai ter que encarar, machão - olhei-o e voltei para a TV.
Coloquei em Smooth Criminal na versão master, ou seja, a mais difícil. Justin engoliu seco e seus olhos mostravam o quanto estava apreensivo. Não falei mais nada e selecionei ele para ser Michael, e eu um dos dançarinos. Respirei fundo e a dança começou novamente, agora mais rápida e com movimentos bem retos. Eu mantive as pernas firmes o tempo todo, os braços bem centrados e não perdi a atenção em nenhum momento. A pena é que Justin era realmente tão bom quanto eu, e não se perdeu de quase nenhum passo. Ele podia até se enrolar, mas se resolvia segundos depois. 
- Ah, merda - sussurrei quando errei um passo importante e bufei. Ele riu mas não me provocou, apenas continuamos a dançar até que a batida parasse e a pontuação aparecesse na tela.
Player 1 - 19.225.
Player 2 - 20.105.
- YEAH, EU SABIA! - Justin gritou, sorrindo, e convencido de um jeito que só ele consegue ser. Suspirei.
- Parabéns, campeão. Eu sabia que ia conseguir - sorri, falando do jeito mais sincero que consigo.
Eu não precisava ter ganhado, ver o sorriso no rosto de Justin era tudo que eu precisava.
Estou tão feliz em ver que as coisas de fato não mudaram entre nós mesmo com o beijo de ontem.
- Obrigado, loirinha - se aproximou de mim e deu um beijo delicado em minha testa. - Não me desafie mais se não estiver com vontade de perder.
- Você não muda mesmo, não é? - Deu de ombros.
- Não, e acho que essa é a melhor parte - sorri.
- É, eu também - ele me olhou.
- Espero que a gente nunca se afaste. Você pode até achar que não, mas faz mesmo muita diferença na minha vida. É como uma irmã - falou baixo.
- Uma irmã que você acha sexy. Isso é normal? - Rimos juntos.
- Bobona.         
Então tive uma ideia.
- Que tal a gente comemorar?
- O que tem em mente, minha linda Anastasia Steele? - Disse num tom engraçado e ri, desligando o XBox e colocando nossos controles de volta a mesinha. Desliguei a TV e o encarei.
- Lá embaixo tem umas bebidas, chocolate e biscoitinhos pra gente se deliciar.
- Eu estava pensando em algo melhor - levantei a sobrancelha.
- O quê?
Ele olhou novamente para o nada como se pensasse em algo muito importante e me olhou no instante em que saiu do transe. Esse garoto é tão estranho às vezes.
- Não, nada. Vamos lá pegar a bebida - sorriu para disfarçar e cerrei os olhos. 
Tentei não pensar muito no pequeno momento de loucura do Justin e descemos as escadas, indo para a cozinha. Ele foi direto e fui até o grande rádio da sala. Tem dois alto falantes em cada lado, acho que é a coisa mais maneira que meu pai já comprou para enfeitar a casa. Dei play na música Toxic da Britney Spears e corri até a cozinha. Justin estava sentado numa das cadeiras altas perto da bancada e me olhava, esperando minha reação. Sorri.
- Vai fazer alguma coisa mais tarde?
- Não sei. Pretendo levar minha mãe a um restaurante, faz um tempo que não fazemos nada juntos.
- Que legal! Se divirtam - respondi enquanto abri a geladeira e peguei duas latinhas de red bull e barrinhas de Kit Kat que sobraram. Sim, eu e Lilly comemos quase tudo para ocuparmos a boca enquanto uma falava "o beijo de Ryan é tão bom" e a outra (eu) contava detalhes da 1º vez louca dentro de um quarto de hóspedes. 
Pus tudo na bancada e, por último, peguei um grande saco de Doritos do armário, despejei tudo num pote fundo e levei-o até Jus. Sentei-me em seu lado e abrimos nossas latinhas, brindamos logo em seguida.
- A sua batalha vencida no Just Dance! - Disse ele, rindo, e bebeu.
- A sua batalha vencida no Just Dance master! - Bebi do mesmo jeito e passei a língua nos lábios, recolhendo todo o gosto doce e refrescante do energético.
Peguei um Doritos e mastiguei-o, lambendo os dedos que ficavam com manchinhas vermelhas do biscoito. Justin me olhava.
- Quem era aquele garoto que estava conversando com você? Quero dizer, dançando no jardim.
Puts.
- Um amigo novo. Se chama Matt. Ele faz advocacia com Ryan.
- É, tô sabendo. E a gostosa que ficou com você na piscina?
Revirei os olhos.
É óbvio que isso tinha que ter alguma finalidade pra ele. Bufei.
- Barbara, também faz advocacia. Acredita que ela me parabenizou por ir para a água com ela sem sutiã? A ideia inicial foi toda minha - Justin engasgou e dei leves batidas em suas costas, tentando ajuda-lo. Ele fez um sinal com a mão mostrando que já estava tudo bem e respirou fundo, as bochechas avermelhadas... era até engraçado. - Qual o problema?
- Então você não se deixou influenciar por ninguém? Foi para a piscina semi nua porque quis?
- Uhum - dei de ombros. - Quero aloprar um pouco, aproveitar que meus pais não estão em casa. Quer dizer, queria... depois do baque de ontem tudo o que mais desejo é ficar deitada o dia inteiro nesse Sábado gostoso, afinal amanhã tenho que fazer trabalho da faculdade - ele sorriu.
- É, é verdade. Ainda bem que eu não tenho nada disso.
- Ah, seu caso é pior. Você precisa cantar na frente de várias pessoas.
- Não há nada mais gostoso que isso, Ana. É como se sentir livre.
Ao fundo a voz sensual de Britney Spears embalava nosso momento entre amigos. Toxic já havia acabado e agora tocava Circus. 
- Se você acha - falei, um pouco assustada. - Me dá medo só de pensar em uma platéia me observando e escutando minha voz de maritaca - Justin riu.
- Você é exagerada. Eu gosto da sua voz. Na verdade eu gosto de quase tudo em você - corei, encarando-o.
- E o que não gosta?
- Não gosto da Ana que conheci ontem, a bêbada que se negou a me dar seu copo de bebida para evitar mais problemas - falou um pouco desapontado. Ele tentou esconder, mas acabei percebendo.
- Desculpe, não vai...
- Anastasia, não sou seu pai nem seu namorado. Não me deixe ficar regulando o que você pode ou não fazer, isso é muito irritante. Pelo menos é o que parece - bebi 3 goles seguidos de red bull.
- Não pense assim. Eu adoro o jeito como você quer me proteger. Mas às vezes é bom enlouquecer um pouco, fazer coisas diferentes. Experimentar novos horizontes e principalmente sensações - ele levantou a sobrancelha direita.
- Acho que isso é um sinal.
- De quê? - Respondi apreensiva.
- Nada. Se você ainda não me contou é porque não quer que eu saiba.
Merda, aposto que ele está desconfiado.
Fala sério, ele é meu melhor amigo, não tem problema contar. Ou tem?
Só há uma maneira de descobrir.
- Justin, eu e o Mat... nós... - as palavras não saíam, insistiam em ficar entaladas na minha garganta. - Nós transamos ontem.
Os olhos de Justin se arregalaram de uma forma que pareciam que iam sair de seu rosto e ele me encarou, perplexo, cuspindo todo o energético que tinha em sua boca.
Puta que pariu.