(AVISO NO FINAL DO POST, LEIAM)
- O QUE? - Ele levantou, respirou fundo e me olhou. Seus olhos estavam vermelhos e seus lábios afastados, como se ele tivesse tentando fazer a respiração voltar ao normal. Me assustei com seu grito. - COMO ASSIM, ANASTASIA? ELE TE FORÇOU? O QUE ACONTECEU? PORRA, ELE TE MACHUCOU? VENHA AQUI, DEIXE-ME VER - Justin se aproximou de mim novamente e apalpou meus braços, coxas e analisou todo o meu pescoço. Suspirei, ficando de pé em sua frente.
- Calma, calma! Ele não me forçou a nada, eu também quis.
- MAS CARALHO, VOCÊ É A ANASTASIA, ANASTASIA STEELE, A MINHA MELHOR AMIGA, A PEQUENA QUE CORRIA COMIGO POR AQUELE JARDIM - Ele apontou para a porta que dava em direção a piscina, em volta dela havia grama e algumas flores que estão aqui desde que eu nasci. Passei os dedos pela testa e engoli seco, tentando encontrar palavras que o fizessem se recompor.
- Justin, eu não sou mais criança. Hoje em dia é um absurdo uma garota da minha idade ser virgem e... poxa, o Matt é bonito, legal, e hesitou um pouco antes de começarmos a fazer tudo - enrubesci, passando os olhos por toda a cozinha.
- MAS É CLARO, ELE TEM JUÍZO! VIU QUE NÃO ERA A MERDA DA HORA CERTA! - Ele andava de um lado para o outro perto da bancada da cozinha. Passou os dedos pelo cabelo e eu podia ver gotas de suor descendo pelo seu rosto.
Isso é tão estupido. Desnecessário. Escandaloso.
Bosta.
- Justin, a alguns minutos atrás você disse que não é meu pai, nem namorado, etc e tal. Pra que isso?
- PRA QUE ISSO? VOCÊ TRANSOU, FODEU, FEZ SEXO. E PIOR AINDA, COM UM GAROTO QUE CONHECEU A, NO MÍNIMO, 3 HORAS! ACHA ISSO BONITO? DIGNO DE UMA STEELE?
O tom de Justin continuava alto e rígido. Era como se ele quisesse impôr regras a mim. Fala sério, ele não pode fazer isso. Mas espera...
- ENTÃO É COM ISSO QUE SE PREOCUPA? O NOME DA MINHA FAMÍLIA? - Não consegui conter os gritos quando finalmente me toquei do que ele havia dito. Como Justin pôde ser tão baixo?
- NÃO TENTE MUDAR O ASSUNTO, VOCÊ...
- EU TE CONTO COM TODA A VERGONHA DO MUNDO QUE PERDI A VIRGINDADE ONTEM E É ISSO QUE ESTÁ REALMENTE INCOMODANDO SUA CABEÇA? O FATO DE UMA STEELE TER... - Não fui capaz de terminar a frase. Lágrimas insistiam em descer por meus olhos, mas com toda a certeza do mundo não vou deixar que isso aconteça.
Não mesmo.
- O PROBLEMA NÃO É ESSE! - Ele se virou e depois fez a mesma coisa. Quando viu o meu estado abriu e fechou os olhos, olhou para baixo e deu de ombros, ainda mostrando o quanto estava indignado. Seu tom finalmente baixou. - Eu não esperava que fosse fazer isso. Não conseguiu fazer comigo, mas fez com outro. Um puto que cursa advocacia na nossa faculdade - ele se sentou novamente e apoiou a cabeça nas mãos, relaxando. Suspirou.
- A vagina é minha, e a vida também. Você não pode falar essas coisas pra mim como se fosse problema seu! - A raiva ainda tomava conta de parte de mim. Eu esperei que ele não reagisse bem, mas as coisas que disse me feriram de um jeito profundo. Não vou esquecer tão rápido quanto ele quer. Justin arregalou os olhos.
- O que está acontecendo com você? Ana, você não é assim.
- Não vem com esse caralho de "blablabla Ana", "blablabla Anastasia", "mimimi Aninha". Que tipo de melhor amigo se importa mais com o sobrenome da melhor amiga do que as coisas que aconteceram com ela em sua primeira vez? Puta merda, eu sou uma idiota. Onde eu estava com a cabeça quando tomei coragem de te dizer que transei ontem?
- Ana, senta aqui. Olha, me desculpa, eu não podia...
- É, tem razão, não podia mesmo. Mas quer saber? Vou começar a pensar do jeito que Lilly falou - ele levantou as duas sobrancelhas, aguardando eu terminar a frase. - Transei com Matt sim, foi uma foda muito boa, e eu espero que a gente se veja mais vezes. Chega uma hora que cansa agradar as pessoas.
Justin segurou minhas mãos, fazendo com que eu não dissesse mais nada, e me sentou em suas pernas.
Merda, odeio quando ele faz isso.
Ele colocou uma mecha de meu cabelo para trás e me olhou. Eu tinha certeza que estava vermelha de raiva, com a respiração ofegante e não conseguia parar de mexer em meus dedos para me controlar. Ele pôs o dedo em meu queixo, levantando meu rosto em seguida.
- Você não me desagradou. Só é... confuso.
Não respondi.
- Estávamos tão bêbados, eu mal sabia o que estava fazendo. Num minuto me desculpo por ter tentado transar com você, e em outro você me conta que perdeu a virgindade com um cara que, cá entre nós, eu não gostei muito.
- Mas...
- Sh, deixe-me terminar - ele me interrompeu, e foi o que fiz. - Você está certa. A vida é sua e você faz com ela o que bem entender, mas é inevitável não me preocupar com você. Ainda mais porque fui em quem te levou para aquela festa... maldita hora que fiz isso - ele praticamente sussurrou a última frase. No fundo se sentia culpado, e achava que eu havia feito tudo por impulso.
Meus hormônios se acalmaram depois de um curto tempo e decidi finalmente falar.
- Justin, eu fiz tudo aquilo porque quis. Matt é um cara legal. E bem, não é porque perdi a virgindade que deixei de ser a sua garota - ele sorriu de lado, demonstrando fraqueza. É péssimo vê-lo assim. - Acho lindo da sua parte se importar tanto com o fato de eu não ser completamente "pura", mas sei me cuidar. Me deixa muito feliz e aliviada saber que tenho alguém aqui, por mim - inclinei a cabeça, tentando ser o mais fofa possível. - E sabe quem é esse alguém? - Ele fez um sinal de não e ri. - Você, seu bobo.
Ele corou e beijei suas bochechas, fazendo aquele clima ruim ir embora aos poucos.
- Foi bom? - Perguntou do nada. Terminei de beber o último gole de meu Red Bull e olhei-o.
- Sim.
- Doeu?
- Mais um menos.
- Você sangrou, Ana? - O olhei sem entender.
- Justin!
- Ué, você queria falar sobre isso, e agora eu quero detalhes - ele riu, irônico.
- Idiota - revirei os olhos, levantei-me para começar a arrumar tudo e me lembrei de uma coisa. - Aquilo que você disse... você... você está mesmo preocupado apenas com o nome que carrego? Steele?
Justin sorriu com os lábios.
- Anastasia, eu estou preocupado com tudo que envolva você. Estou preocupado por ver que você está crescendo. Estou preocupado por saber que alguém te beijou em lugares onde ninguém havia beijado antes. Estou preocupado por notar que você não é tão inocente quanto antes. Estou preocupado e ao mesmo tempo orgulhoso. Você está amadurecendo - beijou minha testa.
Bieber fofo é uma coisa rara, preciso guardar esse momento de alguma maneira.
- E isso é ruim? - Sussurrei.
- Não, é ótimo. Só não quero que você mude, ou uma coisa pior, se afaste de mim.
- Isso nunca vai acontecer, somos melhores amigos. Você é meu super herói.
Ele deu seu melhor sorriso, e assim vi que estávamos realmente bem.
Justin e eu estávamos sentados na cama enquanto ele me mostrava gravações de músicas dele em seu MacBook. Ele foi até sua casa buscar só porque queria que eu ouvisse. Não faz tanta diferença já que ele mora do meu lado, enfim.
- São ótimas, a sua voz é maravilhosa - sorri.
- Modesta a parte, eu também acho - fez cara sexy e revirei os olhos.
- Uhum, é.
Ele sabe tocar violão, bateria, piano, trompete e outras coisas mais. A maioria aprendeu sozinho e acho isso incrível. Eu não tenho coordenação para tocar nada. Ele começou a cantar por diversão e agora leva isso realmente a sério. Quer seguir carreira mas diz que não vai forçar nada. "Deus sabe o que faz e minha hora vai chegar, basta eu nunca dizer nunca", é praticamente seu lema. Se eu entendo? Nem sempre. Mas ele é o Justin Drew Bieber, nunca o entenderei completamente. Ele dá tudo de si na faculdade e sei que muita coisa boa ainda vai acontecer na vida dele. Sem contar que ele canta muito, de verdade, tem talento, e merece ser reconhecido.
- Me promete uma coisa? - Ele continuava distraído, olhando para a tela.
- Diz - respondeu rápido.
- Se um dia você ficar famoso, ganhar fãs e muito dinheiro... não vai se esquecer de mim. Promete isso? - Ele me olhou, desconfiado.
- Pra quê prometer? Não confia em mim quando digo que nossa amizade é eterna?
- Não é isso, mas...
- Sem mas. Nada garante que eu vá me tornar famoso, e não concordo em prometer coisas - suspirei, deitando-me com a cabeça encostada no travesseiro. - Mas se isso te deixa mais calma, sim, eu prometo que nunca vou te esquecer, que vou te levar pra conhecer o mundo inteiro comigo e que minhas fãs te conhecerão como minha fiel melhor amiga.
Sorri de orelha a orelha com cada palavra e pulei em seus braços, jogando-o no colchão. Envolvi meus braços em sua nuca e minha felicidade era óbvia.
- Você é tão lindo! Ah, eu te amo tanto - sussurrei para mim mesma, mas ele conseguiu ouvir. Sorriu fraco próximo de minha orelha.
- Eu também te amo, coisa linda - fez carinho em meu cabelo.
Me sentei em seu quadril e rapidamente me lembrei de tudo que fiz por cima de Matt naquela pequena cama, ontem. Balancei levemente a cabeça para afastar as lembranças eróticas e olhei Justin, que fazia o mesmo.
- Torço tanto para que você consiga realizar seus sonhos! Você é demais. Nasceu para isso.
- Eu também torço.
- E sua mãe, seus avós, seus irmãozinhos...
- Não exagera! Eles ainda são pequenos, Ana - fiz biquinho.
- Mesmo assim, tenho certeza que eles adoram ouvir essas músicas, não é? - Deu de ombros.
- Sim, nas raras vezes que eles vêm aqui sempre coloco para que ouçam.
- Relaxa. Você vai começar a vender milhares de CDs ao redor do mundo, e assim terá dinheiro de sobra pra visitar a Jazzy e o Jax no Canadá.
- E meu pai também - sorriu.
- Isso! Não fica triste por causa deles, ta bom? Você só está começando a vida, e merece tudo de bom - me inclinei e mordi a pontinha de seu nariz, fazendo com que Justin fizesse uma cara engraçada. Sorri e voltei para a cama, cobrindo-me e relaxando as costas na mesma.
Justin voltou para o MacBook após me dar um beijinho rápido no ombro e meu iPhone tocou.
Mamãe.
- Anastasia? Você está aí?
Ah, a voz da mamãe. Que saudade!
- Hey mãe! Sim, estou - sorri. - Você está bem?
- Nossa, você não imagina o que seu pai fez! Caramba, eu não tinha ideia que ele havia guardado os votos do casamento e tudo mais. Filha, ele parou na ponte mais conhecida desse lugar e fez uma coisa completamente fofa. Digna de príncipe! - Eu ria e tentava abafar. Coloquei no viva voz para que Justin ouvisse tudo e ele sorriu como eu, encantado com a animação de mamãe.
- Que maneiro, mãe!
- Eu não acredito que você não havia me contado! Eu teria ficado menos surpresa, poxa.
- Mas esse era o objetivo, te surpreender, senhora Steele.
- E tudo é tão lindo aqui, Anastasia. Estou levanto várias lembrancinhas para você. Você ficaria apaixonada por cada canto do hotel. As lojas! Nossa, as lojas, puts... - Ri.
- Mãe, calma, você precisa guardar novidades para quando chegar em casa.
- Isso é o que não vai faltar - sorriu. - E ontem, você saiu? Sexta feira, você é adolescente... isso é típico - suspirei e coloquei o cabelo para trás. Justin me encarou como se estivesse esperando minha resposta.
Era como se ele dissesse com o olhar: "vai mentir ou dizer a verdade?"
- Sim mamãe, eu saí. Mas não se preocupe, estava com Justin - ela soltou um suspiro de alívio.
Por quê todos confiam nele dessa maneira?
Porra, posso me cuidar sozinha.
- E como ele está?
- ESTOU ÓTIMO, DONA CARLA! - Justin gritou, entrometido, e roubou o celular de minha mão. Cruzei os braços.
- Oh, você está aí! É melhor assim - disse ela, e ele me olhou, convencido. Bufei.
- Você não sabe o que sua filha fez ontem... tentei impedi-la mas a senhora sabe, ela é muito teimosa - ele se levantou da cama bem devagar para que eu seguisse todos os seus movimentos, e cheguei perto dele lentamente, pronta para dar o bote.
- Não se atreva a contar isso a ela, ou perco a confiança em você! - Eu disse com os lábios, sem deixar que som nenhum saísse de minha boca. Ele estava com uma expressão irônica que me deixava com muita, muita raiva.
- Ai Deus, o que ela fez? - Respondeu mamãe, preocupada.
- Seu babaca, pare com isso! - Disse baixo.
- Nós chegamos numa festa na casa do Ryan e ela...
Justin fazia aquilo ser um tipo de tortura a cada segundo que passava e ele analisava consigo mesmo se era ou não uma boa ideia contar o que havia acontecido na noite passada.
Ela...
Ela...
Ela...
- Ela ganhou de mim numa batalha de licor de pimenta! Dá pra acreditar? - Suspirei e me joguei na cama. Todas as partes de meu corpo relaxaram de um modo indescrítivel e eu fechei os olhos, aguardando o final da conversa deles.
- É, quem diria, Ana é mais forte do que pensávamos - sorriu.
O MacBook fez um barulho baixo e me aproximei dele sem que Justin visse. Havia uma nova mensagem no e-mail e eu não hesitei para abri-la.
Eu e Justin não temos segredo.
Me decepcionei quando vi que era de Chaz. Nela estava escrito:
De: Chaz Somers
Para: Justin Bieber
Assunto: Aposta
E aí cara, como foi a festa? Para mim foi completamente ótima. A única parte ruim foi ver minha Ana se amostrando daquela forma na piscina, mas as garotas são assim mesmo. Além do mais, o que é bonito tem de ser mostrado ;) Vou direto ao assunto deste e-mail. Você conseguiu cumprir nossa aposta, meu chapa? Lembre-se que se não, você sofrerá uma pequena consequência. Espero que esteja preparado.
Fiquei olhando para a tela por alguns segundos sem entender nada. Talvez esta seja uma coisa íntima do Justin, mas por o que eu saiba nada é tão íntimo entre nós. O olhei e ele sorria de leve enquanto desligava a ligação com minha mãe. Me olhou e sua face mudou quando ele viu que eu estava desconfiada de alguma coisa.
- Justin, que história é essa de aposta? O que você combinou com Chaz?
Coisas lindas, me desculpem pela demora, estão acontecendo umas coisas na minha vida e isso faz eu perder a animação pra escrever. Fiquei doente, meus pais não param de brigar, minha mãe quer dar minha guarda pro meu pai, dois garotos que eu amava me deixaram na mesma semana, voltei a estudar na escola onde eu sofria bullying... barra, viu. Mas prometo que vou voltar com força pra cá. Espero que gostem!
Beijos ♡

