Justin sorriu com minha resposta e abraçou a cintura de Lilly com o braço esquerdo, dando apoio a nós duas. Andávamos pelo chão de concreto que ficava exatamente no meio do jardim de Ryan e praticamente todos que nos viram falaram conosco.
- Como é que tá, Bieber?
- Aê, duas de uma vez. Vai com calma meu irmão! - Disse um garoto segurando duas garrafas de vodka. Ri abafado.
- Boa noite, querida Anastasia. Gostaria de tomar um drink comigo? - Ofereceu-se um garoto bem bonito: olhos castanhos e cabelo preto, hairflip. Me lembrou Justin quando ele tinha 16 anos.
- Não, obrigada - agradeci carinhosamente dando de ombros e não me importei muito com sua reação, afinal é aparente que ele já está bêbado.
- Se afasta, cara, essa já é minha. Sou protetor dela durante toda a noite - continuou Justin, convencido, e o olhei em reprovação enquanto subimos dois pequenos degraus para entrar na casa. Lilly ainda observava atentamente a tela de seu BlackBerry.
- Você não pode mandar para longe todo garoto que vir falar comigo.
- Deixa de ser marrenta, você sabe porque faço isso.
- Bieber, você é meu melhor amigo, quase um irmão e... - o vi engolir seco. Parecia que ele estava se lembrando de algo desagradável, após isso começou a encarar o chão. - Sabe que odeio quando conversamos e você não olha nos meus olhos - coloquei a mão em seu queixo e nós três paramos no meio de uma pequena quantidade de pessoas aglomeradas na sala de estar.
Me desgrudei dele e Lilly me olhou:
- Vou falar com Ryan e Chris. Depois nos encontramos, amiga - ela piscou e sumiu aos poucos.
- Me desculpa, é que...
- Aconteceu alguma coisa, Jus? Você sabe que pode me contar - fiquei em sua frente. Ele pôs os braços nos bolsos e mexeu-se, desconfortável.
- Não, nada.
- Já sei, ficou o dia inteiro bebendo e tá sentindo um enjoo na barriga. Se quiser podemos ir lá em casa e te dou um remédio.
- Relaxa, tá tudo bem. Quer beber alguma coisa? Temos de tudo aqui - sorriu de lado e vi o meu Justin de volta. Não consegui impedir um sorriso imediato e envolvi meus braços em sua nuca.
- Não importa o que aconteça, sempre seremos amigos - falei.
- Por que está dizendo isso? - Senti suas mãos quentes em meu quadril.
- Sei lá, deu vontade. E se quiser me contar algo é só falar, não vou te julgar. Estarei sempre aqui - terminei a frase, meiga, e distribuí beijos por todo seu rosto. Justin riu.
- Sabe que o mesmo vale pra você. Agora chega de melação e vamos ver como está isso aqui.
Justin foi na frente e fiquei logo atrás dele. Várias pessoas esbarravam em nós e pediam desculpas de um jeito embaralhado que chegava a ser engraçado. Saímos da sala de estar, passamos pela de jantar e fomos direto para a cozinha. Ao seu lado estava o banheiro.
- Se você quiser dormir o quarto de hóspedes é ali - Jus apontou para uma porta de madeira que ficava no fundo do corredor, meio escondido devido a armários decorativos. Olhei para ele sem entender.
- Acha que com uma festa dessas vou querer dormir? Você não existe! - Rimos pelo nariz e fomos até a bancada. E realmente tem de tudo aqui, desde sucos de caixinha até licor de pimenta. - Tem gente que bebe isso? - Apontei para a mesma e Justin olhou-a rápido pois estava fazendo dois drinks para nós.
- Sim. Dá um gosto bom no final de qualquer bebida.
- Deve arder até aquele lugar - ri, girando-a para ler as pequenas letras da parte de trás.
- É verdade.
- Então já experimentou?
- Sim, eu adoro - ele estendeu um copo vermelho para mim, cheio até a metade, e levantei uma sobrancelha.
- E se eu também adorar?
- O que está tramando, Ana? - Ele riu. Ah, esse idiota me conhece melhor do que ninguém.
- Estou te desafiando, Bieber.
- Fale mais sobre isso - ele pôs os copos e volta na bancada e segurou o licor. Me olhava com um sorriso travesso nos lábios.
- É simples: vamos beber isso até não aguentarmos mais. O primeiro que desistir, perde, e tem que fazer qualquer coisa que o outro pedir - sua expressão mudou um pouco mas ignorei. Ainda acho que ele está enjoado mas não quer admitir para mim.
- E vale tudo?
- Aham, que mal tem? - Dei de ombros, encarando-o de um jeito malicioso que nunca tinha feito antes. Ele mostrou os dentes.
- Acho melhor você ir tirando esse vestido, Anastasia, porque já já vai cair naquela piscina e sentir a água fria nesse corpinho sensual - dei um tapa em seu peito.
- Isso é o que vamos ver.
Peguei uma cadeira e fui até a mesa principal da cozinha, com pouca dificuldade subi nela e fiquei de pé, batendo palmas e chamando a atenção de todos.
- GALERA, QUEM AQUI TÁ AFIM DE VER UMA BATALHA? - Gritaram em confirmação e ri, cruzando as pernas para me equilibrar - VÃO PARA A SALA PORQUE VAI COMEÇAR A MELHOR DESSA NOITE. EU CONTRA MEU AMIGUINHO JUSTIN BIEBER - apontei para ele e bateram palmas. Jus fez uma careta e um sinal com os dedos em confirmação. - QUEM VOCÊS ACHAM QUE AGUENTA TOMAR MAIS LICOR DE PIMENTA? VAMOS VER.
- ISSO AÍ, LOIRA! - Alguém gritou e ri mais ainda apontando para a saída.
Jus segurou minha mão ajudando-me a descer e o olhei mais uma vez.
- Espero que goste mesmo de usar calça no joelho, Justin, porque hoje você vai usar a cueca também.
Todos da festa estavam naquela sala e deixaram um espaço exato para eu passar sem ninguém me atrapalhar. Eu parecia uma estrela de cinema escoltada por seguranças. Sorri com o pensamento e sentei em um banco bem macio, puxando o vestido para baixo e tampando um pouco minhas coxas. Justin apareceu logo em seguida e fez o mesmo, estava próximo a mim. A única coisa que nos mantinha afastados era a mesa. Ele colocou o licor entre nós e Ryan apareceu no meio, encarando-nos.
- Aqui estão seus copos, meus caros - colocou-os ao lado da pequena garrafa de bebida - lembrem-se: só bebam o quanto suportarem. Se precisarem vomitar a casa tem três banheiros, não é necessário que sujem o tapete. E, o principal de tudo: divirtam-se até cansarem!!!
Rimos e batemos palmas como antes.
- Você vai se arrepender, Ana. Ainda dá tempo de desistir.
- Não tão cedo, Justin.
Ele passou a língua nos lábios e tirou seu colete, abanando-se. Ryan encheu nossos copos até transbordarem e começou a contagem:
- Quando eu disser 3 quero que bebam tudo de uma vez. Prontos? - Assentimos com a cabeça. - Beleza. 1, 2, 3!
Respirei fundo e coloquei toda aquela bebida brilhante e escura para dentro. Ela desceu ardendo por minha garganta, como se estivesse rasgando todas as estruturas de meu corpo. Fechei e abri os olhos várias vezes tentando amenizar a dor que não me é familiar e bati o copo na mesa confirmando que terminei. Justin fez o mesmo alguns segundos depois e seus olhos estavam da mesma cor do licor. Encarei-o e nossos olhares se bateram. Ele também está sentindo a ardência que senti mas não demonstra por orgulho. Gritaram e bateram palmas para nós em parabenização e ajeitei meu decote, sorrindo vitoriosa.
- Esse é só o começo, não considere-se vencedora - sussurrou ele enquanto Ryan enchia novamente nossos copos.
- Amiga, está tudo bem? - Sussurrou Lilly em meu ouvido, sua voz mostra que está preocupada.
- Sim, tô de boa na lagoa - ri. - Fica junto com o Ry, é uma boa oportunidade para se aproximarem.
- E uma boa oportunidade de eu correr e pegar um balde pra você, quando você estiver começando a vomitar como se não houvesse amanhã - a olhei emburrada e ela fez uma cara abobalhada, ficou ao lado de Ry como eu disse e os olhares se voltaram novamente para mim e Justin.
- É isso aí, tô gostando de ver! - Gritou uma garota ruiva no canto da sala, próxima a Justin.
- Valeu, galera. No 3 - Ryan disse e olhou para Li como um pedido para que ela fizesse a contagem. Ela corou e sorriu.
- 1, 2, 3!
Bebemos de novo quando ouvimos "3" e a mesma sensação voltou a me invadir. Mas já estava ficando bom e mais normal, valerá a pena tomar mais alguns desses. Dessa vez não precisei conter as sensações como antes porque elas haviam se tornado suportáveis. Justin piscou, suspirou e colocou o copo de volta a mesa. Sorri.
- Cansado?
- Nunca - respondeu.
Lilly ficou atrás de mim e fez um coque em meu cabelo, por incrível que pareça eu já estava começando a suar. Me abanei com as mãos.
- Boa sorte, gatita - disse em meu ouvido e voltou para Ryan.
- Mais uma rodada?
- Claro que sim.
- AÊÊÊÊÊ! - Gritaram todos aqueles adolescentes loucos. Alguns fizeram sons na parede, chão e até nos móveis da mãe de Ryan. Ri com tanta empolgação.
- Já pensou em qual vai ser a consequência do Justin, Ana?
- Sim, tenho algo muito bom em mente - o olhei debochada e ele cerrou os olhos.
- É você que tem que se preocupar com isso, Anastasia. Já avisei que vai ter que se jogar na piscina.
- PORRA JUSTIN, VOCÊ TEM QUE GANHAR, ENTÃO! - Um garoto no meio da multidão gritou e o olhamos. - Qual é, com todo o respeito, você é uma gostosa.
Levamos na esportiva e gargalhamos. Copo cheio, respiração, contagem, beber, recompor o fôlego e colocar o copo na mesa para que Ryan o enchesse. Fizemos isso pelo menos mais 7 vezes. Eu já estava exausta mas não deixaria Justin ganhar. Ryan estava se preparando para encher tudo mais uma vez. Todos estavam cheios de expectativa e doidos para saber quem se renderia, até que...
- CHEGA, CHEGA, EU DESISTO! - Justin gritou com as mãos na barriga, o rosto cansado e pingos de suor descendo pela sua testa. O olhei convencida.
- O quê? Desculpa, não ouvi direito...
- Eu desisto, não quero mais tomar... - Sussurrou com um pouco de vergonha.
- Acho que o pessoal lá de trás não ouviu, né gente? - A galera do fundão levantou as mãos e ficaram na ponta dos pés para acompanharem a cena de rendição. - Repete só mais uma vez, por fa...
- CARALHO, EU NÃO QUERO MAIS LICOR, EU PERDI, EU PERDI! PODE FALAR O QUE QUER QUE EU FAÇA E EU FAÇO.
Me joguei na cadeira como uma relaxada e coloquei as mãos atrás da cabeça, em seguida, estendi as pernas na mesa mostrando meu lindo salto alto.
- É isso aí gente, meu parceiro desistiu. Perdeu. FRACO! QUEM MANDA AQUI SÃO AS MULHERES! - Me levantei e todas as vozes femininas que estavam ali gritaram junto comigo.
Se juntaram em volta de mim de um modo que cheguei a ficar sem ar, mas só conseguia sorrir. Estava um pouco zonza mas ignorei, afinal a festa só está começando.
- A sua consequência, caro Justin... - levantei e me aproximei dele, afastando-me da multidão. - Será doce, ah, muito doce - falei num tom irônico e ele me olhava, derrotado.
- Diz de uma vez, chega de suspense.
- Sabem o que Justin terá que fazer? Ele vai lá fora, no meio da rua... Vai abaixar as calças, a cueca e mostrar a bunda e o querido maninho - apontei para o meio de suas pernas com a cara mais pervertida que consigo fazer - na frente de todos que passarem, e principalmente pro pessoal dessa festa - ele arregalou os olhos.
- O QUÊ?
- É isso aí. Quer que eu repita? Olha, vou explicar só mais uma vez. Abaixe as calças e a cueca, vá pro meio da rua e nos mostre essa bunda branca. E esse pintinho que fica guardado dentro da sua roupa íntima - ri.
Poucos acreditavam que eu tinha acabado de fazer aquilo, não sou disso, mas o licor fez com que meus nervos batalhem entre si e eu tenha coragem que não costumo ter sóbria. Ele se levantou, cambaleando, e me olhou.
- Pode deixar. Mas poxa, se você queria ver minha bunda era só pedir, Aninha - ele segurou meu queixo e mordeu a ponta de meu nariz. Lhe dei um tapa leve e ele deu dois passos para trás, depois seguiu para fora da casa.
- QUEM QUER VER A BUNDA MURCHA DO JUSTIN? ME SIGAM! - Gritei e toda a multidão veio atrás de mim.
Não sei o que está me dando mas adoro a sensação de poder.
Atrevimento.
Atitudes loucas.
E principalmente fazer coisas que nunca me imaginei fazendo.
A noite promete.
- Como é que tá, Bieber?
- Aê, duas de uma vez. Vai com calma meu irmão! - Disse um garoto segurando duas garrafas de vodka. Ri abafado.
- Boa noite, querida Anastasia. Gostaria de tomar um drink comigo? - Ofereceu-se um garoto bem bonito: olhos castanhos e cabelo preto, hairflip. Me lembrou Justin quando ele tinha 16 anos.
- Não, obrigada - agradeci carinhosamente dando de ombros e não me importei muito com sua reação, afinal é aparente que ele já está bêbado.
- Se afasta, cara, essa já é minha. Sou protetor dela durante toda a noite - continuou Justin, convencido, e o olhei em reprovação enquanto subimos dois pequenos degraus para entrar na casa. Lilly ainda observava atentamente a tela de seu BlackBerry.
- Você não pode mandar para longe todo garoto que vir falar comigo.
- Deixa de ser marrenta, você sabe porque faço isso.
- Bieber, você é meu melhor amigo, quase um irmão e... - o vi engolir seco. Parecia que ele estava se lembrando de algo desagradável, após isso começou a encarar o chão. - Sabe que odeio quando conversamos e você não olha nos meus olhos - coloquei a mão em seu queixo e nós três paramos no meio de uma pequena quantidade de pessoas aglomeradas na sala de estar.
Me desgrudei dele e Lilly me olhou:
- Vou falar com Ryan e Chris. Depois nos encontramos, amiga - ela piscou e sumiu aos poucos.
- Me desculpa, é que...
- Aconteceu alguma coisa, Jus? Você sabe que pode me contar - fiquei em sua frente. Ele pôs os braços nos bolsos e mexeu-se, desconfortável.
- Não, nada.
- Já sei, ficou o dia inteiro bebendo e tá sentindo um enjoo na barriga. Se quiser podemos ir lá em casa e te dou um remédio.
- Relaxa, tá tudo bem. Quer beber alguma coisa? Temos de tudo aqui - sorriu de lado e vi o meu Justin de volta. Não consegui impedir um sorriso imediato e envolvi meus braços em sua nuca.
- Não importa o que aconteça, sempre seremos amigos - falei.
- Por que está dizendo isso? - Senti suas mãos quentes em meu quadril.
- Sei lá, deu vontade. E se quiser me contar algo é só falar, não vou te julgar. Estarei sempre aqui - terminei a frase, meiga, e distribuí beijos por todo seu rosto. Justin riu.
- Sabe que o mesmo vale pra você. Agora chega de melação e vamos ver como está isso aqui.
Justin foi na frente e fiquei logo atrás dele. Várias pessoas esbarravam em nós e pediam desculpas de um jeito embaralhado que chegava a ser engraçado. Saímos da sala de estar, passamos pela de jantar e fomos direto para a cozinha. Ao seu lado estava o banheiro.
- Se você quiser dormir o quarto de hóspedes é ali - Jus apontou para uma porta de madeira que ficava no fundo do corredor, meio escondido devido a armários decorativos. Olhei para ele sem entender.
- Acha que com uma festa dessas vou querer dormir? Você não existe! - Rimos pelo nariz e fomos até a bancada. E realmente tem de tudo aqui, desde sucos de caixinha até licor de pimenta. - Tem gente que bebe isso? - Apontei para a mesma e Justin olhou-a rápido pois estava fazendo dois drinks para nós.
- Sim. Dá um gosto bom no final de qualquer bebida.
- Deve arder até aquele lugar - ri, girando-a para ler as pequenas letras da parte de trás.
- É verdade.
- Então já experimentou?
- Sim, eu adoro - ele estendeu um copo vermelho para mim, cheio até a metade, e levantei uma sobrancelha.
- E se eu também adorar?
- O que está tramando, Ana? - Ele riu. Ah, esse idiota me conhece melhor do que ninguém.
- Estou te desafiando, Bieber.
- Fale mais sobre isso - ele pôs os copos e volta na bancada e segurou o licor. Me olhava com um sorriso travesso nos lábios.
- É simples: vamos beber isso até não aguentarmos mais. O primeiro que desistir, perde, e tem que fazer qualquer coisa que o outro pedir - sua expressão mudou um pouco mas ignorei. Ainda acho que ele está enjoado mas não quer admitir para mim.
- E vale tudo?
- Aham, que mal tem? - Dei de ombros, encarando-o de um jeito malicioso que nunca tinha feito antes. Ele mostrou os dentes.
- Acho melhor você ir tirando esse vestido, Anastasia, porque já já vai cair naquela piscina e sentir a água fria nesse corpinho sensual - dei um tapa em seu peito.
- Isso é o que vamos ver.
Peguei uma cadeira e fui até a mesa principal da cozinha, com pouca dificuldade subi nela e fiquei de pé, batendo palmas e chamando a atenção de todos.
- GALERA, QUEM AQUI TÁ AFIM DE VER UMA BATALHA? - Gritaram em confirmação e ri, cruzando as pernas para me equilibrar - VÃO PARA A SALA PORQUE VAI COMEÇAR A MELHOR DESSA NOITE. EU CONTRA MEU AMIGUINHO JUSTIN BIEBER - apontei para ele e bateram palmas. Jus fez uma careta e um sinal com os dedos em confirmação. - QUEM VOCÊS ACHAM QUE AGUENTA TOMAR MAIS LICOR DE PIMENTA? VAMOS VER.
- ISSO AÍ, LOIRA! - Alguém gritou e ri mais ainda apontando para a saída.
Jus segurou minha mão ajudando-me a descer e o olhei mais uma vez.
- Espero que goste mesmo de usar calça no joelho, Justin, porque hoje você vai usar a cueca também.
Todos da festa estavam naquela sala e deixaram um espaço exato para eu passar sem ninguém me atrapalhar. Eu parecia uma estrela de cinema escoltada por seguranças. Sorri com o pensamento e sentei em um banco bem macio, puxando o vestido para baixo e tampando um pouco minhas coxas. Justin apareceu logo em seguida e fez o mesmo, estava próximo a mim. A única coisa que nos mantinha afastados era a mesa. Ele colocou o licor entre nós e Ryan apareceu no meio, encarando-nos.
- Aqui estão seus copos, meus caros - colocou-os ao lado da pequena garrafa de bebida - lembrem-se: só bebam o quanto suportarem. Se precisarem vomitar a casa tem três banheiros, não é necessário que sujem o tapete. E, o principal de tudo: divirtam-se até cansarem!!!
Rimos e batemos palmas como antes.
- Você vai se arrepender, Ana. Ainda dá tempo de desistir.
- Não tão cedo, Justin.
Ele passou a língua nos lábios e tirou seu colete, abanando-se. Ryan encheu nossos copos até transbordarem e começou a contagem:
- Quando eu disser 3 quero que bebam tudo de uma vez. Prontos? - Assentimos com a cabeça. - Beleza. 1, 2, 3!
Respirei fundo e coloquei toda aquela bebida brilhante e escura para dentro. Ela desceu ardendo por minha garganta, como se estivesse rasgando todas as estruturas de meu corpo. Fechei e abri os olhos várias vezes tentando amenizar a dor que não me é familiar e bati o copo na mesa confirmando que terminei. Justin fez o mesmo alguns segundos depois e seus olhos estavam da mesma cor do licor. Encarei-o e nossos olhares se bateram. Ele também está sentindo a ardência que senti mas não demonstra por orgulho. Gritaram e bateram palmas para nós em parabenização e ajeitei meu decote, sorrindo vitoriosa.
- Esse é só o começo, não considere-se vencedora - sussurrou ele enquanto Ryan enchia novamente nossos copos.
- Amiga, está tudo bem? - Sussurrou Lilly em meu ouvido, sua voz mostra que está preocupada.
- Sim, tô de boa na lagoa - ri. - Fica junto com o Ry, é uma boa oportunidade para se aproximarem.
- E uma boa oportunidade de eu correr e pegar um balde pra você, quando você estiver começando a vomitar como se não houvesse amanhã - a olhei emburrada e ela fez uma cara abobalhada, ficou ao lado de Ry como eu disse e os olhares se voltaram novamente para mim e Justin.
- É isso aí, tô gostando de ver! - Gritou uma garota ruiva no canto da sala, próxima a Justin.
- Valeu, galera. No 3 - Ryan disse e olhou para Li como um pedido para que ela fizesse a contagem. Ela corou e sorriu.
- 1, 2, 3!
Bebemos de novo quando ouvimos "3" e a mesma sensação voltou a me invadir. Mas já estava ficando bom e mais normal, valerá a pena tomar mais alguns desses. Dessa vez não precisei conter as sensações como antes porque elas haviam se tornado suportáveis. Justin piscou, suspirou e colocou o copo de volta a mesa. Sorri.
- Cansado?
- Nunca - respondeu.
Lilly ficou atrás de mim e fez um coque em meu cabelo, por incrível que pareça eu já estava começando a suar. Me abanei com as mãos.
- Boa sorte, gatita - disse em meu ouvido e voltou para Ryan.
- Mais uma rodada?
- Claro que sim.
- AÊÊÊÊÊ! - Gritaram todos aqueles adolescentes loucos. Alguns fizeram sons na parede, chão e até nos móveis da mãe de Ryan. Ri com tanta empolgação.
- Já pensou em qual vai ser a consequência do Justin, Ana?
- Sim, tenho algo muito bom em mente - o olhei debochada e ele cerrou os olhos.
- É você que tem que se preocupar com isso, Anastasia. Já avisei que vai ter que se jogar na piscina.
- PORRA JUSTIN, VOCÊ TEM QUE GANHAR, ENTÃO! - Um garoto no meio da multidão gritou e o olhamos. - Qual é, com todo o respeito, você é uma gostosa.
Levamos na esportiva e gargalhamos. Copo cheio, respiração, contagem, beber, recompor o fôlego e colocar o copo na mesa para que Ryan o enchesse. Fizemos isso pelo menos mais 7 vezes. Eu já estava exausta mas não deixaria Justin ganhar. Ryan estava se preparando para encher tudo mais uma vez. Todos estavam cheios de expectativa e doidos para saber quem se renderia, até que...
- CHEGA, CHEGA, EU DESISTO! - Justin gritou com as mãos na barriga, o rosto cansado e pingos de suor descendo pela sua testa. O olhei convencida.
- O quê? Desculpa, não ouvi direito...
- Eu desisto, não quero mais tomar... - Sussurrou com um pouco de vergonha.
- Acho que o pessoal lá de trás não ouviu, né gente? - A galera do fundão levantou as mãos e ficaram na ponta dos pés para acompanharem a cena de rendição. - Repete só mais uma vez, por fa...
- CARALHO, EU NÃO QUERO MAIS LICOR, EU PERDI, EU PERDI! PODE FALAR O QUE QUER QUE EU FAÇA E EU FAÇO.
Me joguei na cadeira como uma relaxada e coloquei as mãos atrás da cabeça, em seguida, estendi as pernas na mesa mostrando meu lindo salto alto.
- É isso aí gente, meu parceiro desistiu. Perdeu. FRACO! QUEM MANDA AQUI SÃO AS MULHERES! - Me levantei e todas as vozes femininas que estavam ali gritaram junto comigo.
Se juntaram em volta de mim de um modo que cheguei a ficar sem ar, mas só conseguia sorrir. Estava um pouco zonza mas ignorei, afinal a festa só está começando.
- A sua consequência, caro Justin... - levantei e me aproximei dele, afastando-me da multidão. - Será doce, ah, muito doce - falei num tom irônico e ele me olhava, derrotado.
- Diz de uma vez, chega de suspense.
- Sabem o que Justin terá que fazer? Ele vai lá fora, no meio da rua... Vai abaixar as calças, a cueca e mostrar a bunda e o querido maninho - apontei para o meio de suas pernas com a cara mais pervertida que consigo fazer - na frente de todos que passarem, e principalmente pro pessoal dessa festa - ele arregalou os olhos.
- O QUÊ?
- É isso aí. Quer que eu repita? Olha, vou explicar só mais uma vez. Abaixe as calças e a cueca, vá pro meio da rua e nos mostre essa bunda branca. E esse pintinho que fica guardado dentro da sua roupa íntima - ri.
Poucos acreditavam que eu tinha acabado de fazer aquilo, não sou disso, mas o licor fez com que meus nervos batalhem entre si e eu tenha coragem que não costumo ter sóbria. Ele se levantou, cambaleando, e me olhou.
- Pode deixar. Mas poxa, se você queria ver minha bunda era só pedir, Aninha - ele segurou meu queixo e mordeu a ponta de meu nariz. Lhe dei um tapa leve e ele deu dois passos para trás, depois seguiu para fora da casa.
- QUEM QUER VER A BUNDA MURCHA DO JUSTIN? ME SIGAM! - Gritei e toda a multidão veio atrás de mim.
Não sei o que está me dando mas adoro a sensação de poder.
Atrevimento.
Atitudes loucas.
E principalmente fazer coisas que nunca me imaginei fazendo.
A noite promete.

Continua!
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