13 de fevereiro de 2013

Troublemaker; Capítulo 2 — One more day.


"It's been said and done, every beautiful thought's been already sung. And I guess right now, here's another one... So your melody will play on and on, with the best of them..." cantarolava meu celular. "You're beautiful like a dream come alive, incredible. A centerfold miracle, lyrical..."
- Tudo bem, acordei. ACORDEI! - Gritei comigo mesma e desliguei o despertador, levantando-me da cama de um jeito tão devagar que parecia uma bêbada.
O sol iluminava um pouco meu quarto, e abri as cortinas. Meus olhos reclamaram um pouco mas ignorei. Abri as janelas e a primeira coisa que vi foi Justin de cabelo bagunçado, cueca box vermelha e carinha de sono. Inclinei a cabeça e sussurrei um "own", sorrindo com os lábios. Ele me olhou rapidamente e mandou um beijo. Mandei outro e ri, andando até o banheiro e tomando um banho quente. Coloquei um jeans, blusa azul e sapatilha da Chanel. Não sou muito ligada em marcas, mas essa é minha preferida depois da Forever 21. Guardei todo o material na mochila e desci as escadas pondo o iPhone no bolso. Já são 7h30.
Faço faculdade de arquitetura a um ano, faltam mais ou menos três pra eu acabar. Quero construir shoppings, lugares importantes do governo, casas que por enquanto as pessoas acham que são impossíveis de se colocar de pé... Vou fazer a diferença nesse mundo podre em que vivemos. Cheguei na cozinha e me deparei com uma cena que imaginei nunca mais ver: mamãe e papai dançando devagar, agarrados, com uma música melosa tocando no rádio. Ray canta baixinho no ouvido dela, fazendo-a sorrir como uma boba. Ao perceberem que estou ali, eles olham para todo o canto, menos para mim. Rio e me sento, fazendo cara séria.
- Bom dia, casal Steele.
- Bom dia, senhorita Steele.
- Como está até agora?
- Bem, obrigada - fiz voz de mais velha, imitando os dois bobões. Papai se sentou após dar um selinho rápido na mamãe, e começou a ler seu jornal como sempre faz. Paletó preto, gravata cinza e sapatos formais um tanto quanto brilhosos. - Ah, pai, esqueci de te perguntar ontem: alguém vai ficar comigo enquanto vocês estarão em L... - Papai me olhou imediatamente com um olhar de reprovação e me toquei de que ia estragar a surpresa. - Enquanto vocês estarão viajando? - Me corrigi.
- Não, filha. Algum problema com isso? - Mamãe respondeu a pergunta como se eu tivesse feito a ela. Dei de ombros.
- Não, nenhum.
Pelo contrário, já imaginaram as possibilidades? Festas na piscina, churrasco a tarde, putaria a noite. Vou ter o mundo em minhas mãos!
- Só não se esqueça que a maioria dos cômodos daqui tem câmeras e saberemos de tudo que você fez quando chegarmos, mocinha.
- A não ser que por um acaso alguém apague todas as fitas de gravação - olhei para eles, sapeca. Mamãe se sentou e olhou para papai, fazendo um não com a cabeça.
- Duvido que você seja capaz de tal ato, meu bem.
- Não duvide de mim, querido pai.
- Às vezes você me sai melhor que encomenda, querida filha.
- E você é melhor que qualquer encomenda, querido pai - rimos. Olhei para o relógio em meu pulso: quase 8horas. Arregalei os olhos. - NOSSA, EU PRECISO IR! - Gritei bebendo um mísero copo de suco natural de morango e me levantando as pressas.
- Mas Ana, você nem comeu.
- Guarda pra mim, quando eu voltar como tudo, mãe. - Falei por último e fechei a porta, indo em direção ao meu Audi R8, presente mais caro que meu pai já me deu.
Ganhei quando fiz 16 anos e ele é meu bebê. Todo mês o levo pra fazer revisão, aprendi a consertar pneu... Essas coisas básicas de adoradores de carro. Entrei nele, liguei o rádio e fui em direção ao último dia de faculdade dessa semana.

Estacionei na minha vaga de sempre e saí com a mochila nas costas. Andei por todas aquelas pessoas até chegar em meu armário. Peguei o estojo que esqueci ontem, e quando fui fechar a pequena porta dei de cara com o mala.
- Bom dia, princesa.
- Bom dia, príncipe - respondi Justin na mesma fofura, se não ele fica chateado. Ele sorri.
- Como foi sua noite?
- Ótima. E a sua?
- Dormi como um anjo após saber que vou na festa com a garota mais linda desse lugar - andamos em passos devagares e subimos os degraus até o segundo andar.
- Awn, obrigada... Mas o que você quer dessa vez? - Revirei os olhos.
- Qual é, não posso fazer um elogio pra melhor amiga do mundo? - Ele parou na minha frente, impedindo a passagem.
- Pode, mas sempre tem alguma finalidade. Diz logo, qual é o propósito de tudo isso, Jus? - Ele puxou meu braço delicadamente e me levou pra um canto. Não desviei os olhos dele. - Tá me deixando preocupada, garoto.
- Queria pedir pra você não contar pra ninguém que quando acordo meu cabelo fica todo bagunçado e... - ele fez uns movimentos estranhos com a mão. - Ah, você entendeu!
Não consegui me segurar e caí na gargalhada no meio do pátio. Algumas pessoas me olhavam como se eu tivesse um problema psicológico. Justin me encarou esperando uma resposta, sem entender minha reação.
- Essa é sua preocupação? Caramba, já te vi acordar várias vezes graças aquela janela. Mas tudo bem, pode deixar, ninguém vai saber QUE O JUSTIN BIEBER ACORDA PARECENDO UM LE... - gritei e ele tampou minha boca, mordi seus dedos e dei uma última risada leve. - Brincadeira, sem problemas.
Seguimos até minha sala. Justin faz curso de canto, o que não tem nada a ver com minha área, mas tivemos sorte em podermos ficar na mesma faculdade. Áreas diferentes, mas continuamos juntos e perto.
- Depois da aula quero que me conte no que deu aquela briga dos seus pais, tá?
- Uhum - beijei a bochecha dele e coloquei a mão na maçaneta. - Até daqui a pouco - sorri e entrei, fechando a porta.
Sentei em meu lugar e logo atrás de mim está Lilly, minha melhor amiga. Nossas mães são amigas desde adolescentes, ou seja, meu laço com ela vem antes mesmo de nascermos. Ela pôs as mãos em meus ombros e mordeu a ponta da minha orelha, me fazendo rir. Virei-me para encará-la enquanto coloquei a mochila em cima da mesa.
- Você não sabe da maior! - Disse, empolgada, batendo palminhas.
- O que aconteceu? Você e Chaz voltaram? - Bufei, tentando ignorar o que ela disse.
Lilly shippa muito eu e Chaz. Ela não percebe que simplesmente não nascemos para ficar juntos. Ele faz tudo por mim, mas por alguma razão não consigo retribuir o amor dele da mesma forma. Já tentei pelo menos quatro vezes e sempre acaba nisso.
- Cala a boca, você só fala merda - ela tentou parecer bravinha.
- Anda, conta logo.
- Meus pais discutiram ontem - ela me fitava antentamente - e eles decidiram viajar por duas semanas. Papai vai levá-la para Londres, é o maior sonho dela - sorrimos. - Mas ela ainda não sabe o destino, ou seja, vai ser uma surpresa total! Ele encontrou os votos de casamento dele, sabe, as coisas que ele disse pra ela no altar... E vai ler tudo aquilo pra ela, no meio da ponte mais famosa de Londres. - Os olhos de Lilly brilharam do mesmo jeito que os meus, ontem.
- Nossa... E a gente achando que eles iam se separar - assenti com a cabeça. - Queria eu ter um namorado tão romântico quanto seu pai.
- Compreensivo, fofo, calmo... Se fosse outro já teria deixado minha mãe a algum tempo. Pode até ser pecado dizer isso, mas é a verdade - suspirei tirando o iPad da mochila, um livro e meu caderno.
- Sua mãe também é tudo de bom, não fala assim dela.
- Se parasse de fumar então, ficaria perfeita - mordi meu lábio inferior.
- Mas nada é perfeito, então trate de parar de reclamar e vira pra frente porque o senhor Clinton chegou.
Fiz o que Lilly disse e cruzei as pernas encarando com atenção o quadro digital. Ele mal deu bom dia e já começou a mostrar fotos das construções mais caras do mundo, e muitas delas nem pertencem a famosos. Ouvi cada palavra que ele disse e anotei as mais importantes no bloco de notas do iPad.



 A aula foi tão legal que, por incrível que pareça, passou rápido. Desci as escadas mexendo nas mensagens do meu iPhone e esbarrei em alguém. "Que coisa mais clichê", pensei. Por sorte eu só carregava um livro. Me abaixei para pegá-lo, e não foi como em filmes. Quem esbarrou em mim não se agachou pra pegar também. Me levantei e fiz o mesmo com meus olhos.
- Ah, é você - falei baixinho, vendo Chaz. Ele colocou as mãos nos bolsos, sem jeito.
- Desculpa, não tinha te visto, eu tava distraído...
- Ah, tudo bem, tudo bem - respondi sem jeito, sorrindo de lado. Me desviei dele pra continuar andando, até que ele continuou a conversa.
- Vai na festa mais tarde? Todos foram convidados, acho que você também.
- Sim, vou com... - pensei duas vezes antes de terminar a frase. Não quero que Chaz pense que terminei com ele por causa de Justin. Isso não faria sentido. - Vou estar lá - fiz um sinal com o dedo indicador e saí.
Lilly envolveu um braço no meu ombro, se apoiando em mim, e sorri, olhando-a.
- E aí, empolgada pra festinha?
- Aham - assenti. - Preciso ir logo pra casa, acho que meus pais vão viajar hoje.
- Ah - ela fez biquinho. Será que a nova moda é essa? Me chantagear com excesso de fofura? - Queria passar lá mais tarde. Posso?
- E precisa pedir permissão? Você é praticamente da família, puta - beijei sua bochecha e ela fez o mesmo com a minha. Entrei no Audi.
- Chego lá umas 4horas, valeu?
- Valeu, gatinha. Até.
- EI EI EI, ONDE VOCÊ PENSA QUE VAI? - Justin gritou enquanto corria em direção a meu carro.

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