P.O.V Justin.
A noite foi bem tranquila. Tomei um remédio antes de dormir para não passar mal na manhã seguinte e capotei na cama. Acordei porque um carro de som passou pela minha rua anunciando “esse é o carro do gás, não deixe que ele acabe, compre aqui!” e bufei. Quem faz isso num sábado? Motorista idiota, você deveria estar dormindo como eu e metade dessa cidade. Peguei o iPhone na cômoda e vi a hora: 12h00. Ok, talvez esteja num bom horário para eu despertar antes que minha mãe dê um ataque. Fiquei de pé, coloquei o chinelo e olhei para a janela. Me aproximei dela e abri um pouco a cortina. Sorri quando vi Ana sentada na cama com Lilly em sua frente, as duas conversavam enquanto comiam Kit Kat. Também tinha pipoca e refrigerante.
- Nossa – sussurrei imaginando a mistureba que deve estar no estômago de cada uma e fiz cara de nojo. Nenhuma das duas me viu. A caminho do banheiro parei de repente lembrando-me de uma coisa que não podia ter me dado ao luxo de esquecer.
A CÂMERA FICOU NO QUARTO DE HÓSPEDES, AINDA NO MODO “GRAVAR”!
- Puta que pariu! – Coloquei as mãos na cabeça e corri para o banheiro.
Mesmo sem querer – porque odeio sentir água no meu corpo pela manhã – tomei um banho super ligeiro e sequei meu cabelo na velocidade da luz, vesti-me com uma blusa azul marinho estampada, calça preta e qualquer tênis que encontrei jogado no chão. Peguei tudo que precisava, pus nos bolsos e desci os degraus. Recolhi a chave do carro na mesma da sala e fui para a cozinha.
- Mãe, preciso passar na casa do Ryan, daqui a pouco eu volto – beijei o topo de sua cabeça.
- Mas filho, o almoço vai ficar pronto daqui a pouco!
- Não se preocupe, eu volto em 10 minutos – avisei por último e em passos largos fui até a garagem.
Abri as grades que davam segurança para a mesma com um controle pequeno e parti com tudo em minha Range Rover. Tive que tomar cuidado com quebra molas e principalmente sinais, já devo ter levado umas 5 multas nos últimos meses e mamãe sempre as paga. Ela disse que mais uma e eu teria que dar tchau para meu carro, e dar oi a vida de ir para a faculdade de carona ou ônibus. Em meio a meus pensamentos finalmente cheguei na casa de Ryan e saltei depressa. Franzi a testa quando vi amigos próximos de Ry fazendo um churrasco apenas para os íntimos. Algumas garotas na piscina, outras dançando no ritmo da música que tocava no rádio e os garotos na churrasqueira. Me aproximei deles.
- Ei, vocês viram o Ryan?
- Ah, ele ta lá dentro preparando as bebidas – respondeu um moreno.
- Valeu – agradeci e fui até lá. Ryan tinha uma garrafa com pouca vodka em sua mão e limão pela metade na outra. Fiquei em seu lado. – Oi cara – fizemos um toque de mão. Ele sorriu. Seus olhos estão vermelhos, provavelmente está com sono.
- E aí. Veio para o churrasco? Eu não te chamei porque imaginei que...
- Não, tudo bem, você sabe que eu não curto muito essas extensões de festa. Tem alguém no quarto de hóspedes? – Perguntei ansioso.
- Não, por que?
- Nada, peraí.
Abri a porta do quarto de hóspedes e corri direto para a cômoda. Olhei para o espaço dos dois porta retratos, onde deixei a maldita câmera ontem, e ela não estava mais lá. Como assim?
- RYAN! – Gritei, e em poucos segundos ele estava ali.
- O que foi?
- Você pegou a câmera que estava aqui? – Apontei, encarando-o. Ele fez uma careta.
- Não. Desde ontem a tarde não entro aqui. Por que?
- Ela sumiu, porra! E o pior, tem a gravação da minha conversa com a Anastasia, quando eu decidi não transar com ela – ele bufou.
- Ainda acho que foi um burro por fazer isso, ela é uma gostosa – revirei os olhos, com raiva.
- VOCÊ NÃO ENTENDE? ALGUÉM ROUBOU A MERDA DA CÃMERA?
- EI, TE ACALMA! A FESTA ESTAVA CHEIA DE GENTE BÊBADA E VOCÊ SABE DISSO TANTO QUANTO EU. TEM NOÇÃO DE QUANTAS PESSOAS PODEM TER ENTRADO AQUI PARA FAZER A MESMA COISA QUE VOCÊ PRETENDIA FAZER COM A ANA? – Disse no mesmo tom que eu havia dito. Me sentei na beirada da cama e passei os dedos pelo cabelo.
- Não sei o que fazer. Não tem nada de comprometedor gravado lá, mas caramba, por que alguém pegaria?
- Eu já falei, devem ter roubado pra vender, sei lá. Eu chamei alguns garotos que são viciados, eles roubam coisas para conseguir dinheiro e comprar maconha – deu de ombros como se fosse normal.
- Ryan, a gente tem que achar ela! Eu preciso da câmera de volta. Se fizerem algo com aquele vídeo Ana nunca mais vai falar comigo! – Ele riu de lado, sentando-se junto comigo.
- Vocês são amigos a uma porrada de tempo, a amizade não vai acabar assim.
- Antes de começarmos a nos beijar ela pediu para eu manter tudo em sigilo. Se quem pegou a câmera ver a gravação e não gostar dela ou de mim vai fazer alguma besteira com o que está lá – falei baixinho, quase num suspiro. Ele deu tapinhas leves em minhas costas.
- Relaxa, cara. Anastasia também não é nenhuma santa e sabe no que estava se metendo.
- Ela não sabia que estava sendo gravada, seu imbecil! – Levantei-me e dei um soco na parede. Tenho certeza que machuquei mais minha mão que a própria parede. Ele continuava apenas me olhando.
- Se acontecer alguma coisa você pode explicar que era uma aposta boba, completamente besteira, que não era aquela sua intenção. Mas eu ainda acho que pegaram a câmera de zoação e a pessoa que fez isso nem te conhece.
- Como pode ter certeza?
- Não tenho, só prefiro acreditar na melhor opção – deu um sorriso de lado e se levantou. – Por que você não vai comigo até o jardim e curte com a galera? Tem umas garotas legais aqui, a maioria não conseguiu nada ontem e está a procura de diversão hoje – disse, pervertido.
- Você não ficou com Lilly ontem? Deveria sossegar – riu com sarcasmo.
- Como se dar uns beijos numa menina qualquer me impedisse de me divertir. O que me diz, vem ou não?
E meu iPhone fez um bip em meu bolso. O peguei e vi a tela: uma mensagem de Ana.
“Oi... acho que precisamos conversar, não é? Se você puder dá uma passada aqui em casa, eu to fazendo espaguete a bolonhesa do jeito que você gosta! Lilly foi embora e não queria almoçar sozinha. Posso te esperar?”
Sorri.
- Tenho outro compromisso, foi mal – respondi me esquecendo do problema da câmera e apertei a mão de Ryan. – Qualquer novidade me liga, principalmente se achar o que eu vim procurar.
- Pode deixar. Se divirta com sua melhor amiga – riu.
- Como sabe que é ela?
- É viadagem falar isso, mas quando você vê alguma coisa relacionada a ela seus olhos brilham. É daora – ri.
- Otário. Tchau – e saí.
Respondi a SMS dela:
“Coloque mais um prato na mesa. Não demoro.”
Em poucos minutos eu já havia chegado. Guardei a Range Rover na garagem do jeito que estava antes e entre me casa.
- Nossa Justin, foi rápido – comentou minha mãe, sentada no sofá.
- É, eu disse.
- Mas sua cara não é das melhores. Aconteceu alguma coisa?
Bosta. Odeio o jeito como ela consegue entender minhas expressões antes mesmo de eu dar alguma pista. Suspirei.
- Não, nada. Só vim avisar que Ana me chamou pra almoçar na casa dela e estou indo.
- Mas eu fiz lasanha!
- Faz o seguinte: guarda a metade da bandeja pra mim que eu como no jantar, ta bom? – Sorri me inclinando e dando um beijo demorado em sua bochecha, ela tentou evitar, mas riu no fim.
- O que eu não faço por você, hein?
- Assim que se fala – pisquei saindo de lá novamente, e depois de no máximo 15 passos já estava na frente da casa de Ana. Toquei a campainha e lá estava ela, simples, de pijama... e completamente linda. – Você me chamou e aqui estou eu – disse num tom meigo e ela não respondeu nada, simplesmente veio para perto e me abraçou forte.
Envolvi os braços em seu quadril colando-a completamente em mim e lembrei-me da noite passada. Seu beijo é muito bom, a pele então, nem se fala. Lisa e gostosa de acariciar.
- Está tudo bem? – Sussurrei quando senti seu corpo relaxar com meu toque.
- Sim, eu só estava com medo.
- De quê?
- Você não vir por estar com raiva de mim – a afastei para olhar em seus olhos.
- Por que eu estaria com raiva de você? – Levantei uma sobrancelha.
- Pelo modo que você saiu daquele quarto ontem pareceu que eu tinha feito algo errado. Pode ter sido alguma coisa que eu disse ou... ah, não sei, você interpretou de um jeito diferente. Eu sinto como se estivesse estragado tudo – alisei seu rosto com a ponta de meus dedos fazendo-a corar.
Minha vontade era de dizer “você não fez nada, boba, o problema de tudo sou eu. Nada daquilo teria (quase) acontecido se eu não tivesse feito uma aposta com o babaca do seu ex”, mas me mantive firme.
- Eu só vi que não era o certo. Quero te proteger e te ver bem, não sei se transas estilo American Pie se encaixa nesse meio – rimos juntos. Eu estava sentindo falta da velha Ana.
- Não me lembro exatamente do que eu disse ontem mas vou falar o que está entalado na minha garganta desde que acordei: desculpe por ter dito aquelas coisas para você no jardim, o certo era eu ter te dado o copo de bebida e...
- Relaxa, passou – fungei e senti um cheiro estranho. – Ana, você está com uma impressão estranha? – Ela fez o mesmo que eu e olhou para trás.
- AI MEU DEUS, O ESPAGUETE VAI QUEIMAR! – Gritou em seu extremo desespero e ri com aquilo. Ela é exatamente assim. Correu até a cozinha e eu fui logo em seguida, mas antes tranquei a porta. Sentei-me na cadeira anta da bancada e a encarei. Ela pôs luvas nas duas mãos e pegou uma bandeja de vidro grande, pondo-a em cima da mesa da sala de jantar. Ela tinha preparado tudo como manda o figurino: panos de prato sofisticados, talheres, copos... parecia nosso primeiro encontro. Ri com isso.
- Alguma piada interna, senhor Justin Bieber? – Perguntou, brincalhona. Fui até ela.
- Não, só umas coisas bobas que estava pensando. Posso me servir?
- Ah, sempre tão educado – inclinou a cabeça ao me olhar, sorrindo ironicamente. – Sim, mas vai com calma, você bebeu ontem.
- Eu estou acostumado, já você... – levantei as sobrancelhas, segurei a espátula especial para macarrão e enfiei-a no meio de todo aquele espaguete coberto de molho e as coisas que eu mais gosto de comer. Fiquei com água na boca. Ela se sentou e, para sua surpresa, enchi seu prato primeiro. Ela fez careta de agradecimento.
- Muito gentil da sua parte, viu – disse, dando a primeira garfada.
- Não acostuma, nem sempre sou assim.
- Sei disso, pode ter certeza – sorriu com os lábios. Mostrei a língua.
- Chata.
- Babaca.
- Convencida.
- Não sou espelho.
- Vou fingir que não ouvi isso.
- Ouviu sim, quer que eu repita?
- Anastasia, não me desafie.
- Não tenho medo de você.
E o pior é que sei que ela realmente não tem. Suspirei me dando por vencido e aconcheguei-me ali, começando a comer. De fato estava gostoso, tanto quanto o de minha mãe. Começamos a conversar como se nada tivesse acontecido na festa, mas no fundo a idéia de que a câmera tinha sumido ainda me assombrava. Eu me lembro que ela ficou no quarto depois que eu saí. Será que ela e algum garoto fizeram alguma coisa após eu ir embora, e ficou tudo gravado? Não, não pode ser. Ana não é disso.
- ...e ela ligou agora de manhã me contando tudo que meu pai fez naquela ponte. Espero que um dia alguém faça algo assim pra mim – sorriu, encantada. – Eu não pensei que meu pai fosse tão romântico. Talvez todos os homens sejam, quando querem.
- Somos sim. Você não percebeu que eu coloquei seu espaguete antes do meu? Isso sim é prova de amor! – Riu.
- Vindo de você é mesmo.
- Está insinuando que sou um garoto frio, é?
- Não... mas desde que Caitlin e você se separaram, você mudou – bufei.
- Ninguém é o mesmo para sempre, Ana. A vida nos obriga a mudar e principalmente amadurecer.
- É, sei exatamente o que é isso – sussurrou para si mesma mas consegui ouvir.
- O quê?
- Hm?
- Você disse uma coisa aí, baixinho... quer contar para mim?
- Oh, não é nada, bobeira minha – disfarçou. Já volto.
Ela foi até a geladeira e pegou a sobra da Pepsi que estava tomando com Lilly quando as vi na cama. Deu para encher nossos dois copos e ainda tinha um pouco na garrafa. Brindamos e bebendo, comendo o resto de espaguete que sobrava.
- Foi muito louco você ficar só de calcinha na piscina – disse de repente. Ela enrubesceu.
- Também acho. Mas...
- Mas? – A olhei limpando os lábios com um guardanapo, finalizando minha refeição.
- Eu não me lembro muito dessa parte – falou num sussurro. Gargalhei por pelo menos 2 minutos.
- Cara, você não lembra mesmo? Fiquei sabendo que deixou vários garotos lamberem seus peitos! – Ela arregalou os olhos e relaxou.
- Lilly já me contou tudo que eu fiz, nada que você falar aqui vai me fazer acreditar, beleza? – Levantou-se, recolhendo as louças e colocando na pia. – Você é um filho da puta, baita amigo, viu.
Engoli seco. Sei que isso não tem nada a ver com a aposta, mas tocou no fundo do meu peito. Imagino ela falando essas coisas para mim a sério se descobrir e... não suportaria ouvi-las. Olhei para o chão.
- Own, estou brincando, não precisa ficar assim – ela deu beijinhos pela minha testa e desceu pelo nariz, parando na ponta do mesmo. – O que acha de jogarmos um pouco de Xbox? – Ri.
- Você sabe mesmo me animar.
- Não tem nada sobre você que eu não saiba – disse. – O primeiro que chegar no quarto é o player um. Preparado? – Assenti, e fizemos posição de largada. – 1, 2, 3 e... – saí disparado, rindo como uma criança, e subi as escadas de um jeito tão rápido que nem eu acreditei. Ela gritava:
- Isso é roubo!
- Você foi na frente!
- Idiota, vou te matar quando chegar aÍ! – E vinha degrau por degrau, lenta do jeito que é e espero sempre for. Não me lembro de uma vez que ela ganhou na corrida comigo.
E é assim que quero que seja sempre: eu, ela, comida, filmes broxantes e vídeo game. Mas tudo isso muda quando lembro de seu corpo quente, o beijo fodástico que damos ontem... por que tudo tem que ser tão complicado as vezes?
- AHHH, TE PEGUEI! – Gritou e se jogou nas minhas costas, fazendo-me cair no chão com ela em cima de mim.
- Nossa – sussurrei imaginando a mistureba que deve estar no estômago de cada uma e fiz cara de nojo. Nenhuma das duas me viu. A caminho do banheiro parei de repente lembrando-me de uma coisa que não podia ter me dado ao luxo de esquecer.
A CÂMERA FICOU NO QUARTO DE HÓSPEDES, AINDA NO MODO “GRAVAR”!
- Puta que pariu! – Coloquei as mãos na cabeça e corri para o banheiro.
Mesmo sem querer – porque odeio sentir água no meu corpo pela manhã – tomei um banho super ligeiro e sequei meu cabelo na velocidade da luz, vesti-me com uma blusa azul marinho estampada, calça preta e qualquer tênis que encontrei jogado no chão. Peguei tudo que precisava, pus nos bolsos e desci os degraus. Recolhi a chave do carro na mesma da sala e fui para a cozinha.
- Mãe, preciso passar na casa do Ryan, daqui a pouco eu volto – beijei o topo de sua cabeça.
- Mas filho, o almoço vai ficar pronto daqui a pouco!
- Não se preocupe, eu volto em 10 minutos – avisei por último e em passos largos fui até a garagem.
Abri as grades que davam segurança para a mesma com um controle pequeno e parti com tudo em minha Range Rover. Tive que tomar cuidado com quebra molas e principalmente sinais, já devo ter levado umas 5 multas nos últimos meses e mamãe sempre as paga. Ela disse que mais uma e eu teria que dar tchau para meu carro, e dar oi a vida de ir para a faculdade de carona ou ônibus. Em meio a meus pensamentos finalmente cheguei na casa de Ryan e saltei depressa. Franzi a testa quando vi amigos próximos de Ry fazendo um churrasco apenas para os íntimos. Algumas garotas na piscina, outras dançando no ritmo da música que tocava no rádio e os garotos na churrasqueira. Me aproximei deles.
- Ei, vocês viram o Ryan?
- Ah, ele ta lá dentro preparando as bebidas – respondeu um moreno.
- Valeu – agradeci e fui até lá. Ryan tinha uma garrafa com pouca vodka em sua mão e limão pela metade na outra. Fiquei em seu lado. – Oi cara – fizemos um toque de mão. Ele sorriu. Seus olhos estão vermelhos, provavelmente está com sono.
- E aí. Veio para o churrasco? Eu não te chamei porque imaginei que...
- Não, tudo bem, você sabe que eu não curto muito essas extensões de festa. Tem alguém no quarto de hóspedes? – Perguntei ansioso.
- Não, por que?
- Nada, peraí.
Abri a porta do quarto de hóspedes e corri direto para a cômoda. Olhei para o espaço dos dois porta retratos, onde deixei a maldita câmera ontem, e ela não estava mais lá. Como assim?
- RYAN! – Gritei, e em poucos segundos ele estava ali.
- O que foi?
- Você pegou a câmera que estava aqui? – Apontei, encarando-o. Ele fez uma careta.
- Não. Desde ontem a tarde não entro aqui. Por que?
- Ela sumiu, porra! E o pior, tem a gravação da minha conversa com a Anastasia, quando eu decidi não transar com ela – ele bufou.
- Ainda acho que foi um burro por fazer isso, ela é uma gostosa – revirei os olhos, com raiva.
- VOCÊ NÃO ENTENDE? ALGUÉM ROUBOU A MERDA DA CÃMERA?
- EI, TE ACALMA! A FESTA ESTAVA CHEIA DE GENTE BÊBADA E VOCÊ SABE DISSO TANTO QUANTO EU. TEM NOÇÃO DE QUANTAS PESSOAS PODEM TER ENTRADO AQUI PARA FAZER A MESMA COISA QUE VOCÊ PRETENDIA FAZER COM A ANA? – Disse no mesmo tom que eu havia dito. Me sentei na beirada da cama e passei os dedos pelo cabelo.
- Não sei o que fazer. Não tem nada de comprometedor gravado lá, mas caramba, por que alguém pegaria?
- Eu já falei, devem ter roubado pra vender, sei lá. Eu chamei alguns garotos que são viciados, eles roubam coisas para conseguir dinheiro e comprar maconha – deu de ombros como se fosse normal.
- Ryan, a gente tem que achar ela! Eu preciso da câmera de volta. Se fizerem algo com aquele vídeo Ana nunca mais vai falar comigo! – Ele riu de lado, sentando-se junto comigo.
- Vocês são amigos a uma porrada de tempo, a amizade não vai acabar assim.
- Antes de começarmos a nos beijar ela pediu para eu manter tudo em sigilo. Se quem pegou a câmera ver a gravação e não gostar dela ou de mim vai fazer alguma besteira com o que está lá – falei baixinho, quase num suspiro. Ele deu tapinhas leves em minhas costas.
- Relaxa, cara. Anastasia também não é nenhuma santa e sabe no que estava se metendo.
- Ela não sabia que estava sendo gravada, seu imbecil! – Levantei-me e dei um soco na parede. Tenho certeza que machuquei mais minha mão que a própria parede. Ele continuava apenas me olhando.
- Se acontecer alguma coisa você pode explicar que era uma aposta boba, completamente besteira, que não era aquela sua intenção. Mas eu ainda acho que pegaram a câmera de zoação e a pessoa que fez isso nem te conhece.
- Como pode ter certeza?
- Não tenho, só prefiro acreditar na melhor opção – deu um sorriso de lado e se levantou. – Por que você não vai comigo até o jardim e curte com a galera? Tem umas garotas legais aqui, a maioria não conseguiu nada ontem e está a procura de diversão hoje – disse, pervertido.
- Você não ficou com Lilly ontem? Deveria sossegar – riu com sarcasmo.
- Como se dar uns beijos numa menina qualquer me impedisse de me divertir. O que me diz, vem ou não?
E meu iPhone fez um bip em meu bolso. O peguei e vi a tela: uma mensagem de Ana.
“Oi... acho que precisamos conversar, não é? Se você puder dá uma passada aqui em casa, eu to fazendo espaguete a bolonhesa do jeito que você gosta! Lilly foi embora e não queria almoçar sozinha. Posso te esperar?”
Sorri.
- Tenho outro compromisso, foi mal – respondi me esquecendo do problema da câmera e apertei a mão de Ryan. – Qualquer novidade me liga, principalmente se achar o que eu vim procurar.
- Pode deixar. Se divirta com sua melhor amiga – riu.
- Como sabe que é ela?
- É viadagem falar isso, mas quando você vê alguma coisa relacionada a ela seus olhos brilham. É daora – ri.
- Otário. Tchau – e saí.
Respondi a SMS dela:
“Coloque mais um prato na mesa. Não demoro.”
Em poucos minutos eu já havia chegado. Guardei a Range Rover na garagem do jeito que estava antes e entre me casa.
- Nossa Justin, foi rápido – comentou minha mãe, sentada no sofá.
- É, eu disse.
- Mas sua cara não é das melhores. Aconteceu alguma coisa?
Bosta. Odeio o jeito como ela consegue entender minhas expressões antes mesmo de eu dar alguma pista. Suspirei.
- Não, nada. Só vim avisar que Ana me chamou pra almoçar na casa dela e estou indo.
- Mas eu fiz lasanha!
- Faz o seguinte: guarda a metade da bandeja pra mim que eu como no jantar, ta bom? – Sorri me inclinando e dando um beijo demorado em sua bochecha, ela tentou evitar, mas riu no fim.
- O que eu não faço por você, hein?
- Assim que se fala – pisquei saindo de lá novamente, e depois de no máximo 15 passos já estava na frente da casa de Ana. Toquei a campainha e lá estava ela, simples, de pijama... e completamente linda. – Você me chamou e aqui estou eu – disse num tom meigo e ela não respondeu nada, simplesmente veio para perto e me abraçou forte.
Envolvi os braços em seu quadril colando-a completamente em mim e lembrei-me da noite passada. Seu beijo é muito bom, a pele então, nem se fala. Lisa e gostosa de acariciar.
- Está tudo bem? – Sussurrei quando senti seu corpo relaxar com meu toque.
- Sim, eu só estava com medo.
- De quê?
- Você não vir por estar com raiva de mim – a afastei para olhar em seus olhos.
- Por que eu estaria com raiva de você? – Levantei uma sobrancelha.
- Pelo modo que você saiu daquele quarto ontem pareceu que eu tinha feito algo errado. Pode ter sido alguma coisa que eu disse ou... ah, não sei, você interpretou de um jeito diferente. Eu sinto como se estivesse estragado tudo – alisei seu rosto com a ponta de meus dedos fazendo-a corar.
Minha vontade era de dizer “você não fez nada, boba, o problema de tudo sou eu. Nada daquilo teria (quase) acontecido se eu não tivesse feito uma aposta com o babaca do seu ex”, mas me mantive firme.
- Eu só vi que não era o certo. Quero te proteger e te ver bem, não sei se transas estilo American Pie se encaixa nesse meio – rimos juntos. Eu estava sentindo falta da velha Ana.
- Não me lembro exatamente do que eu disse ontem mas vou falar o que está entalado na minha garganta desde que acordei: desculpe por ter dito aquelas coisas para você no jardim, o certo era eu ter te dado o copo de bebida e...
- Relaxa, passou – fungei e senti um cheiro estranho. – Ana, você está com uma impressão estranha? – Ela fez o mesmo que eu e olhou para trás.
- AI MEU DEUS, O ESPAGUETE VAI QUEIMAR! – Gritou em seu extremo desespero e ri com aquilo. Ela é exatamente assim. Correu até a cozinha e eu fui logo em seguida, mas antes tranquei a porta. Sentei-me na cadeira anta da bancada e a encarei. Ela pôs luvas nas duas mãos e pegou uma bandeja de vidro grande, pondo-a em cima da mesa da sala de jantar. Ela tinha preparado tudo como manda o figurino: panos de prato sofisticados, talheres, copos... parecia nosso primeiro encontro. Ri com isso.
- Alguma piada interna, senhor Justin Bieber? – Perguntou, brincalhona. Fui até ela.
- Não, só umas coisas bobas que estava pensando. Posso me servir?
- Ah, sempre tão educado – inclinou a cabeça ao me olhar, sorrindo ironicamente. – Sim, mas vai com calma, você bebeu ontem.
- Eu estou acostumado, já você... – levantei as sobrancelhas, segurei a espátula especial para macarrão e enfiei-a no meio de todo aquele espaguete coberto de molho e as coisas que eu mais gosto de comer. Fiquei com água na boca. Ela se sentou e, para sua surpresa, enchi seu prato primeiro. Ela fez careta de agradecimento.
- Muito gentil da sua parte, viu – disse, dando a primeira garfada.
- Não acostuma, nem sempre sou assim.
- Sei disso, pode ter certeza – sorriu com os lábios. Mostrei a língua.
- Chata.
- Babaca.
- Convencida.
- Não sou espelho.
- Vou fingir que não ouvi isso.
- Ouviu sim, quer que eu repita?
- Anastasia, não me desafie.
- Não tenho medo de você.
E o pior é que sei que ela realmente não tem. Suspirei me dando por vencido e aconcheguei-me ali, começando a comer. De fato estava gostoso, tanto quanto o de minha mãe. Começamos a conversar como se nada tivesse acontecido na festa, mas no fundo a idéia de que a câmera tinha sumido ainda me assombrava. Eu me lembro que ela ficou no quarto depois que eu saí. Será que ela e algum garoto fizeram alguma coisa após eu ir embora, e ficou tudo gravado? Não, não pode ser. Ana não é disso.
- ...e ela ligou agora de manhã me contando tudo que meu pai fez naquela ponte. Espero que um dia alguém faça algo assim pra mim – sorriu, encantada. – Eu não pensei que meu pai fosse tão romântico. Talvez todos os homens sejam, quando querem.
- Somos sim. Você não percebeu que eu coloquei seu espaguete antes do meu? Isso sim é prova de amor! – Riu.
- Vindo de você é mesmo.
- Está insinuando que sou um garoto frio, é?
- Não... mas desde que Caitlin e você se separaram, você mudou – bufei.
- Ninguém é o mesmo para sempre, Ana. A vida nos obriga a mudar e principalmente amadurecer.
- É, sei exatamente o que é isso – sussurrou para si mesma mas consegui ouvir.
- O quê?
- Hm?
- Você disse uma coisa aí, baixinho... quer contar para mim?
- Oh, não é nada, bobeira minha – disfarçou. Já volto.
Ela foi até a geladeira e pegou a sobra da Pepsi que estava tomando com Lilly quando as vi na cama. Deu para encher nossos dois copos e ainda tinha um pouco na garrafa. Brindamos e bebendo, comendo o resto de espaguete que sobrava.
- Foi muito louco você ficar só de calcinha na piscina – disse de repente. Ela enrubesceu.
- Também acho. Mas...
- Mas? – A olhei limpando os lábios com um guardanapo, finalizando minha refeição.
- Eu não me lembro muito dessa parte – falou num sussurro. Gargalhei por pelo menos 2 minutos.
- Cara, você não lembra mesmo? Fiquei sabendo que deixou vários garotos lamberem seus peitos! – Ela arregalou os olhos e relaxou.
- Lilly já me contou tudo que eu fiz, nada que você falar aqui vai me fazer acreditar, beleza? – Levantou-se, recolhendo as louças e colocando na pia. – Você é um filho da puta, baita amigo, viu.
Engoli seco. Sei que isso não tem nada a ver com a aposta, mas tocou no fundo do meu peito. Imagino ela falando essas coisas para mim a sério se descobrir e... não suportaria ouvi-las. Olhei para o chão.
- Own, estou brincando, não precisa ficar assim – ela deu beijinhos pela minha testa e desceu pelo nariz, parando na ponta do mesmo. – O que acha de jogarmos um pouco de Xbox? – Ri.
- Você sabe mesmo me animar.
- Não tem nada sobre você que eu não saiba – disse. – O primeiro que chegar no quarto é o player um. Preparado? – Assenti, e fizemos posição de largada. – 1, 2, 3 e... – saí disparado, rindo como uma criança, e subi as escadas de um jeito tão rápido que nem eu acreditei. Ela gritava:
- Isso é roubo!
- Você foi na frente!
- Idiota, vou te matar quando chegar aÍ! – E vinha degrau por degrau, lenta do jeito que é e espero sempre for. Não me lembro de uma vez que ela ganhou na corrida comigo.
E é assim que quero que seja sempre: eu, ela, comida, filmes broxantes e vídeo game. Mas tudo isso muda quando lembro de seu corpo quente, o beijo fodástico que damos ontem... por que tudo tem que ser tão complicado as vezes?
- AHHH, TE PEGUEI! – Gritou e se jogou nas minhas costas, fazendo-me cair no chão com ela em cima de mim.

Continuaa to amando!
ResponderExcluircontinuua tá de mais !!
ResponderExcluirContinuuuuua ! Ta mtmt boa !
ResponderExcluirFic mt boa ! N para nn
ResponderExcluircontinuaaaaaaaaaaaaa @firstlovedrew
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