- Sim? - Me virei para ver quem era.
Infelizmente era Justin com uma cara nada boa. Digamos que ele não curte muito quando fico perto de garotos que ele não conhece. Fala sério, nem meu pai faz isso. Do jeito que me encontro agora é capaz que a gente brigue, e a última coisa do mundo que eu quero é isso. Estou me sentindo tão bem.
- Ele é seu namorado? - Perguntou Matt, baixinho.
- Não, sou melhor amigo dela. Não sabia? - Droga, ele conseguiu ouvir. Bufei.
- Pare Jus, isso é desnecessário. Vou lhes apresentar antes de qualquer coisa. Matt, este é Justin. Justin, este é Matt - peguei as mãos de cada um e fiz eles apertarem no mesmo momento, se encarando. Era impossível saber o que pensavam. A música já estava quase acabando, o que me deixa triste porque realmente gosto dela e nem dancei tanto quanto queria.
- Vocês querem conversar sozinhos?
- Não, Matt, tudo bem. Aconteceu alguma coisa? - Olhei para Justin novamente. Algo me diz que ele queria que eu saísse dali.
- Você está ficando bêbada, acho melhor parar - ele estendeu o braço para pegar meu copo e esquivei no mesmo instante.
- Como é que é? Melhor ficar na sua - ele ficou surpreso com minha reação.
- Sabe que nunca faz coisas certas quando bebe, por favor, me dá esse copo - ele permanecia na mesma posição esperando que eu fizesse exatamente o que ele mandava. Que ridículo.
- Não. Eu vou continuar aqui, na pista de dança, com meu mais novo amigo Matt, que cursa advocacia na nossa faculdade. Você quer mais alguma informação sobre ele? Número de identidade? CPF? Comprovante de residência?
- Por que está embaralhando as coisas? O problema não é ele e sim você e a bebida com álcool! - Matt via tudo aquilo sem saber como ficar e o que fazer. Coitado.
- Sou dona do meu próprio nariz, ou esqueceu que tenho 18 anos?
- E daí? Se você fizer alguma merda quem vai ter que cuidar de você sou eu - ri abafado, com ironismo no fundo.
- Que tipo de merda eu faria? Não se preocupe, a mamãe sabe que estou aqui - fiz biquinho enquanto falava, provocando-o.
- Você sabe do que estou falando.
- Qual é o seu medo? Acha que vou dar pra ele? SE EU QUISER DAR PRA TODOS OS GAROTOS DESSA PORRA DE FESTA EU DOU! - Gritei. Juro que não sei o que me deu, mas foi aquilo que tive vontade de fazer naquele momento. Posso até me arrepender daqui algum tempo, mas agora é a coisa certa - pelo menos na minha cabeça.
- ANASTASIA, VOCÊ ESTÁ FORA DE SI! VENHA COMIGO, AGORA. - Ele ia segurar meu braço mas soltei-o na hora e o olhei. Senti meus olhos esquentando e todas as minhas veias estavam aparentes em meus pulsos.
Ele não pode me controlar.
- Não sou sua irmã nem sua namorada, Justin. Você não precisa vijiar tudo que eu faço, muito menos o que está pensando. Eu conheci a porra do garoto agora e se eu quiser ficar com ele a noite toda, ficarei.
- Ótimo, então peça para que ele te leve pra casa. Esqueça minha carona - ele cuspiu as palavras em minha cara. Tinha rancor, mágoa, ciumes e principalmente raiva em sua voz. Tudo aquilo me deixava mal, mas bebi todo o resto de bebida que tinha em meu copo de uma vez e o encarei.
- Peço a carona pra ele e dou até um boquete de brinde - mandei um beijo mais que sarcástico para ele e segurei a mão de Matt. Fomos para o canto do jardim e ainda conseguia perceber que Justin nos olhava, mas ele sumiu em meio a multidão instantes depois.
Me encostei na cerca que envolve a casa de Ryan e coloquei as mãos na cabeça.
Merda, o que eu fiz?
- Nossa, não estou entendendo nada... - disse Matt, muito mais confuso que eu. - A culpa foi minha? Olha, me desculpa, eu posso falar com ele.
- Não, não, tudo bem... é típico dele fazer isso quando me vê com um garoto. Ele quer me proteger de tudo e todos, como se eu fosse uma garota inocente - minha voz saía falhando. Eu estava prestes a chorar quando Matt se agachou para ficar na minha altura e colocou a mão em meu queixo.
- Eu já passei por isso e, acredite, no final das contas acontece o que tem que acontecer - sorriu e sorri junto com ele. - Sei que não é uma frase muito inspiradora, mas não tem nada que defina mais o que está acontecendo agora. Essa festa está ótima, e vou te contar um segredo: é minha primeira desde que entrei na faculdade, ano passado - sussurrou em meu ouvido.
Consegui deixar os "problemas" de lado e perguntar a ele, curiosa:
- Uow, por que?
- Eu tinha um pouco de vergonha e sou tímido para novas amizades. Gosto de me fechar no meu círculo de velhos amigos.
- Mas você falou comigo e começamos a conversar muito rápido - o olhei.
- Você se lembra das coisas que perguntei a você, Ana? Eu sou um desastre - não pude deixar de evitar e soltei o riso mais verdadeiro desde minha briga com Jus.
- É, é verdade. Acho que todos somos um pouco assim.
- Eu sou completamente - ele bebeu o resto de vodka pura que estava em seu copo. É bem forte para bebidas, já que não mostrou nenhum choque após sentir descê-la pela sua garganta.
- E isso te faz diferente, é legal.
- Se você acha - sorriu de lado. - Agora vamos voltar a dançar, esqueça tudo de ruim que aconteceu, as coisas que o tal Justin falou, pegue mais uma bebida e se divirta. Você merece assim como todo mundo aqui! Tenho certeza que vai encontrar suas amigas e conseguir deixar os problemas para depois. Você topa? - Ele estendeu a mão, suas sobrancelhas estavam levantadas e traços travessos eram aparentes em seu rosto. Mordi o lábio, sorrindo em seguida e fiquei completamente de pé.
- Você me dá a carona pra casa? - Falei de mansinho. Ele riu.
- Sim, claro.
- E sem... sem precisar de boquete? - Dessa vez ele gargalhou e minha vontade era de enfiar a cabeça no chão.
- Sem boquete, Anastasia.
- Obrigada - sorri. - Minha bebida acabou então acho que estou precisando de outra.
- Para sua sorte sei fazer uma das batidas mais gostosas de Nova York. Já fui bar man - abri a boca, surpresa.
- Sério? E como era?
- Normal... - voltamos para a casa de Ryan e agora era bem mais difícil se movimentar lá dentro, tinha muita gente e a maioria estava bêbada. Caíam em cima do sofá, esbarravam em nós, se jogavam na parede. Tinham tantas coisas da mãe de Ry quebradas no chão que só conseguia pensar nela brigando com ele até os tímpanos dele estourarem. - O pessoal chegava na balada, ia até a mim e pediam o que queriam beber.
- E você era do tipo que só usava uma gravatinha e calça formal? - O olhei com expectativa. Suas bochechas ficaram vermelhas.
- Sim, mas foi outra época da minha vida. Eu estava precisando de dinheiro e depois arrumei um jeito mais fácil de ganhá-lo.
- Ah, é? Como? - Ele engoliu em seco.
- Vamos deixar essa parte para outro dia.
Matt mostrou de forma discreta que não gostava de falar sobre aquele assunto. Entramos na cozinha e ele misturou licor de menta com uma bebida mais cremosa e cerveja preta. Olhando tudo aquilo misturado me deu ânsia de vômito, mas consegui me controlar. Alguém me cutucou.
- Amiga, o que foi que aconteceu? Vi o Justin todo bravinho lá na sala e... - era Lilly, que parou de falar quando viu Matt. Seus olhos já estavam pequenos e fundo, mostrando que ela havia bebido mais do que deveria.
Quem se importa? Hoje é sexta feira!
- Você é o garoto gostoso que estava olhando a Ana, não é? - Ela perguntou para ele, e sem jeito, ele respondeu.
- Estava olhando para Ana, mas não sou gostoso.
- Você é sim, deixa de ser modesto! Ou fala isso só para ganhar elogios? - Ela fez uma careta engraçada tentando parecer desconfiada e rimos dela. Matt me deu o copo com sua famosa batida, e tinha outro na mão dele.
- Tin tin - brindamos e bebemos apenas para molhas os lábios. Lilly só fez o mesmo segundos depois.
- Deixando a gostosura do seu amigo de lado... Falando nisso, qual o seu nome?
- Matt.
- Nome tão lindo quanto o dono - ela riu. - Se meu namorado Ryan Butler aparecer por aqui não conte a ele que eu disse isso, combinado? Valeu - ela continuou a frase antes mesmo dele falar algo. - Você precisa ir conversar com Justin, ele está tão desanimado.
- Agora não, ainda quero me divertir antes de ir encarar meu segundo pai.
- Ele é seu melhor amigo e gosta muito de você, Anastasia. Não finja que não sabe.
- Foda-se Li, não enche!
- Uh, uh, tá bom machona, desculpa por tentar ajudar! - Ela se defendeu com as mãos, afastando-se.
- Não, vem aqui - a puxei, abraçando-a sem dar a chance que ela me empurrase. - Não brigue comigo também, eu suportaria perder qualquer amizade, menos a sua.
- Own, que linda - riu e molhou minhas costas, sua boca estava cheia. Fingi que não senti. - Deixa que eu te respondo isso com o máximo de fofura amanhã, quando estivermos na sua casa vendo filme romântico, completamente ressacadas. Apesar de que eu tomei um Engov antes de vir pra cá, mas...
- Lilly, vamos para a piscina! - Gritou Ryan do outro lado da cozinha. Seus olhos voltaram a ter toda a atenção do mundo e ela me deu seu copo.
- Guarda isso na geladeira que venho pegar depois. Ele disse que não quer me ver bebendo. Garoto chato - falou por último. - Qualquer coisa me chama, beleza? Beijo e usem camisinha! - Rimos.
- Ela é engraçada - comentou Matt. - Também acho que o certo é você ir falar com Justin, ele só quer seu bem.
- E aquele papo de esquecer as coisas um pouco, hm? Você muda muito rápido de opinião - ele riu.
- Não vale a pena você tentar se distrair com o pensamento todo nele.
- Então faça de tudo para que eu não pense nele - me aproximei de Matt com malícia no olhar.
Finalmente a bebida está fazendo efeito.
Licor, vodka e cerveja, façam sua parte e me deixem pervertida.
Eu preciso transar essa noite.
- Dane-se Justin, dane-se reputação, dane-se tudo. Só fique comigo - sussurrei com o nariz colado no dele. Sua respiração ficava cada vez mais rápida e aquilo me fez sorrir, já de olhos fechados. - Pode ficar calmo, eu não mordo.
Eu esperava que ele me beijasse descontroladamente, subisse as escadas comigo, entrasse num dos quartos e me fodesse até cansar. Mas ao invés disso Matt colocou as mãos em meu quadril e me afastou.
- Vamos dançar e conversar, se rolar depois a gente tenta. Tudo bem? - Bufei.
- Homens e seu costume de "ir devagar" - bebi mais e ouvi seu riso seguido de um suspiro.
Voltamos para o jardim e dançamos mais um monte de músicas eletrônicas. Matt conseguiu me distrair do jeito que eu pensei, e por muitos minutos não lembrei do Justin. Nossa briga foi tão de repente, e completamente sem sentido. Acho fofo da parte dele não gostar que eu beba, mas pra quê falar de um jeito como se fosse tão errado quanto, sei lá, fumar maconha?
Aproveitando o assunto, sempre tive vontade de experimentar qualquer tipo de droga. Um dia me torno corajosa a ponto de fazer isso. Só tenho receio de viciar e não controlar mais a frequência.
- Ana? Hm... Ana? Você está bem? - Matt perguntava, a pista de dança estava um pouco vazia porque a maioria das pessoas foi para a piscina. O olhei, me afastando de meus pensamentos, e sorri.
- Oi?
- Essa aqui é a Barbara, uma colega da faculdade. Faz advocacia também.
- Prazer, Anastasia - falei bem lentamente porque já estou bêbada, do jeito que eu queria. Acho que a partir de agora sou capaz de tomar atitudes sem pensar na droga das consequências. Ela riu, também já tinha passado de seu limite.
Todos daquela festa já tinham passado dos limites, e isso é incrivelmente gostoso de imaginar.
Excitante também.
- O que vocês acham de irmos para a piscina?
- De vestido?
- Não, sua boba, tem que tirar ele e ficar só de lingerie. E aí, topa?
Matt passou a língua pelos lábios e vi que aquilo podia ser minha chance de finalmente seduzir um homem.
- Sim, eu topo. Mas com uma condição: vamos sem o sutiã.
Barbara arregalou os olhos mostrando-se surpresa.
- Já vi que vou gostar de você. QUEM QUER MAIS DUAS SEMI NUAS NA PISCINA?
- É ISSO AÍ, PORRA! - Gritaram todos que estavam lá enquanto eu e Barbara levantávamos nossos vestidos bem rápido.
- Aproveite essa noite como se fosse a ultima de sua vida, Ana. Esse é um lema que carrego comigo, e pela sua expressão vejo que você também deveria usar.
Então é isso: viver como se fosse o ultimo dia em que você respira.
Porque no final pode realmente ser.
Infelizmente era Justin com uma cara nada boa. Digamos que ele não curte muito quando fico perto de garotos que ele não conhece. Fala sério, nem meu pai faz isso. Do jeito que me encontro agora é capaz que a gente brigue, e a última coisa do mundo que eu quero é isso. Estou me sentindo tão bem.
- Ele é seu namorado? - Perguntou Matt, baixinho.
- Não, sou melhor amigo dela. Não sabia? - Droga, ele conseguiu ouvir. Bufei.
- Pare Jus, isso é desnecessário. Vou lhes apresentar antes de qualquer coisa. Matt, este é Justin. Justin, este é Matt - peguei as mãos de cada um e fiz eles apertarem no mesmo momento, se encarando. Era impossível saber o que pensavam. A música já estava quase acabando, o que me deixa triste porque realmente gosto dela e nem dancei tanto quanto queria.
- Vocês querem conversar sozinhos?
- Não, Matt, tudo bem. Aconteceu alguma coisa? - Olhei para Justin novamente. Algo me diz que ele queria que eu saísse dali.
- Você está ficando bêbada, acho melhor parar - ele estendeu o braço para pegar meu copo e esquivei no mesmo instante.
- Como é que é? Melhor ficar na sua - ele ficou surpreso com minha reação.
- Sabe que nunca faz coisas certas quando bebe, por favor, me dá esse copo - ele permanecia na mesma posição esperando que eu fizesse exatamente o que ele mandava. Que ridículo.
- Não. Eu vou continuar aqui, na pista de dança, com meu mais novo amigo Matt, que cursa advocacia na nossa faculdade. Você quer mais alguma informação sobre ele? Número de identidade? CPF? Comprovante de residência?
- Por que está embaralhando as coisas? O problema não é ele e sim você e a bebida com álcool! - Matt via tudo aquilo sem saber como ficar e o que fazer. Coitado.
- Sou dona do meu próprio nariz, ou esqueceu que tenho 18 anos?
- E daí? Se você fizer alguma merda quem vai ter que cuidar de você sou eu - ri abafado, com ironismo no fundo.
- Que tipo de merda eu faria? Não se preocupe, a mamãe sabe que estou aqui - fiz biquinho enquanto falava, provocando-o.
- Você sabe do que estou falando.
- Qual é o seu medo? Acha que vou dar pra ele? SE EU QUISER DAR PRA TODOS OS GAROTOS DESSA PORRA DE FESTA EU DOU! - Gritei. Juro que não sei o que me deu, mas foi aquilo que tive vontade de fazer naquele momento. Posso até me arrepender daqui algum tempo, mas agora é a coisa certa - pelo menos na minha cabeça.
- ANASTASIA, VOCÊ ESTÁ FORA DE SI! VENHA COMIGO, AGORA. - Ele ia segurar meu braço mas soltei-o na hora e o olhei. Senti meus olhos esquentando e todas as minhas veias estavam aparentes em meus pulsos.
Ele não pode me controlar.
- Não sou sua irmã nem sua namorada, Justin. Você não precisa vijiar tudo que eu faço, muito menos o que está pensando. Eu conheci a porra do garoto agora e se eu quiser ficar com ele a noite toda, ficarei.
- Ótimo, então peça para que ele te leve pra casa. Esqueça minha carona - ele cuspiu as palavras em minha cara. Tinha rancor, mágoa, ciumes e principalmente raiva em sua voz. Tudo aquilo me deixava mal, mas bebi todo o resto de bebida que tinha em meu copo de uma vez e o encarei.
- Peço a carona pra ele e dou até um boquete de brinde - mandei um beijo mais que sarcástico para ele e segurei a mão de Matt. Fomos para o canto do jardim e ainda conseguia perceber que Justin nos olhava, mas ele sumiu em meio a multidão instantes depois.
Me encostei na cerca que envolve a casa de Ryan e coloquei as mãos na cabeça.
Merda, o que eu fiz?
- Nossa, não estou entendendo nada... - disse Matt, muito mais confuso que eu. - A culpa foi minha? Olha, me desculpa, eu posso falar com ele.
- Não, não, tudo bem... é típico dele fazer isso quando me vê com um garoto. Ele quer me proteger de tudo e todos, como se eu fosse uma garota inocente - minha voz saía falhando. Eu estava prestes a chorar quando Matt se agachou para ficar na minha altura e colocou a mão em meu queixo.
- Eu já passei por isso e, acredite, no final das contas acontece o que tem que acontecer - sorriu e sorri junto com ele. - Sei que não é uma frase muito inspiradora, mas não tem nada que defina mais o que está acontecendo agora. Essa festa está ótima, e vou te contar um segredo: é minha primeira desde que entrei na faculdade, ano passado - sussurrou em meu ouvido.
Consegui deixar os "problemas" de lado e perguntar a ele, curiosa:
- Uow, por que?
- Eu tinha um pouco de vergonha e sou tímido para novas amizades. Gosto de me fechar no meu círculo de velhos amigos.
- Mas você falou comigo e começamos a conversar muito rápido - o olhei.
- Você se lembra das coisas que perguntei a você, Ana? Eu sou um desastre - não pude deixar de evitar e soltei o riso mais verdadeiro desde minha briga com Jus.
- É, é verdade. Acho que todos somos um pouco assim.
- Eu sou completamente - ele bebeu o resto de vodka pura que estava em seu copo. É bem forte para bebidas, já que não mostrou nenhum choque após sentir descê-la pela sua garganta.
- E isso te faz diferente, é legal.
- Se você acha - sorriu de lado. - Agora vamos voltar a dançar, esqueça tudo de ruim que aconteceu, as coisas que o tal Justin falou, pegue mais uma bebida e se divirta. Você merece assim como todo mundo aqui! Tenho certeza que vai encontrar suas amigas e conseguir deixar os problemas para depois. Você topa? - Ele estendeu a mão, suas sobrancelhas estavam levantadas e traços travessos eram aparentes em seu rosto. Mordi o lábio, sorrindo em seguida e fiquei completamente de pé.
- Você me dá a carona pra casa? - Falei de mansinho. Ele riu.
- Sim, claro.
- E sem... sem precisar de boquete? - Dessa vez ele gargalhou e minha vontade era de enfiar a cabeça no chão.
- Sem boquete, Anastasia.
- Obrigada - sorri. - Minha bebida acabou então acho que estou precisando de outra.
- Para sua sorte sei fazer uma das batidas mais gostosas de Nova York. Já fui bar man - abri a boca, surpresa.
- Sério? E como era?
- Normal... - voltamos para a casa de Ryan e agora era bem mais difícil se movimentar lá dentro, tinha muita gente e a maioria estava bêbada. Caíam em cima do sofá, esbarravam em nós, se jogavam na parede. Tinham tantas coisas da mãe de Ry quebradas no chão que só conseguia pensar nela brigando com ele até os tímpanos dele estourarem. - O pessoal chegava na balada, ia até a mim e pediam o que queriam beber.
- E você era do tipo que só usava uma gravatinha e calça formal? - O olhei com expectativa. Suas bochechas ficaram vermelhas.
- Sim, mas foi outra época da minha vida. Eu estava precisando de dinheiro e depois arrumei um jeito mais fácil de ganhá-lo.
- Ah, é? Como? - Ele engoliu em seco.
- Vamos deixar essa parte para outro dia.
Matt mostrou de forma discreta que não gostava de falar sobre aquele assunto. Entramos na cozinha e ele misturou licor de menta com uma bebida mais cremosa e cerveja preta. Olhando tudo aquilo misturado me deu ânsia de vômito, mas consegui me controlar. Alguém me cutucou.
- Amiga, o que foi que aconteceu? Vi o Justin todo bravinho lá na sala e... - era Lilly, que parou de falar quando viu Matt. Seus olhos já estavam pequenos e fundo, mostrando que ela havia bebido mais do que deveria.
Quem se importa? Hoje é sexta feira!
- Você é o garoto gostoso que estava olhando a Ana, não é? - Ela perguntou para ele, e sem jeito, ele respondeu.
- Estava olhando para Ana, mas não sou gostoso.
- Você é sim, deixa de ser modesto! Ou fala isso só para ganhar elogios? - Ela fez uma careta engraçada tentando parecer desconfiada e rimos dela. Matt me deu o copo com sua famosa batida, e tinha outro na mão dele.
- Tin tin - brindamos e bebemos apenas para molhas os lábios. Lilly só fez o mesmo segundos depois.
- Deixando a gostosura do seu amigo de lado... Falando nisso, qual o seu nome?
- Matt.
- Nome tão lindo quanto o dono - ela riu. - Se meu namorado Ryan Butler aparecer por aqui não conte a ele que eu disse isso, combinado? Valeu - ela continuou a frase antes mesmo dele falar algo. - Você precisa ir conversar com Justin, ele está tão desanimado.
- Agora não, ainda quero me divertir antes de ir encarar meu segundo pai.
- Ele é seu melhor amigo e gosta muito de você, Anastasia. Não finja que não sabe.
- Foda-se Li, não enche!
- Uh, uh, tá bom machona, desculpa por tentar ajudar! - Ela se defendeu com as mãos, afastando-se.
- Não, vem aqui - a puxei, abraçando-a sem dar a chance que ela me empurrase. - Não brigue comigo também, eu suportaria perder qualquer amizade, menos a sua.
- Own, que linda - riu e molhou minhas costas, sua boca estava cheia. Fingi que não senti. - Deixa que eu te respondo isso com o máximo de fofura amanhã, quando estivermos na sua casa vendo filme romântico, completamente ressacadas. Apesar de que eu tomei um Engov antes de vir pra cá, mas...
- Lilly, vamos para a piscina! - Gritou Ryan do outro lado da cozinha. Seus olhos voltaram a ter toda a atenção do mundo e ela me deu seu copo.
- Guarda isso na geladeira que venho pegar depois. Ele disse que não quer me ver bebendo. Garoto chato - falou por último. - Qualquer coisa me chama, beleza? Beijo e usem camisinha! - Rimos.
- Ela é engraçada - comentou Matt. - Também acho que o certo é você ir falar com Justin, ele só quer seu bem.
- E aquele papo de esquecer as coisas um pouco, hm? Você muda muito rápido de opinião - ele riu.
- Não vale a pena você tentar se distrair com o pensamento todo nele.
- Então faça de tudo para que eu não pense nele - me aproximei de Matt com malícia no olhar.
Finalmente a bebida está fazendo efeito.
Licor, vodka e cerveja, façam sua parte e me deixem pervertida.
Eu preciso transar essa noite.
- Dane-se Justin, dane-se reputação, dane-se tudo. Só fique comigo - sussurrei com o nariz colado no dele. Sua respiração ficava cada vez mais rápida e aquilo me fez sorrir, já de olhos fechados. - Pode ficar calmo, eu não mordo.
Eu esperava que ele me beijasse descontroladamente, subisse as escadas comigo, entrasse num dos quartos e me fodesse até cansar. Mas ao invés disso Matt colocou as mãos em meu quadril e me afastou.
- Vamos dançar e conversar, se rolar depois a gente tenta. Tudo bem? - Bufei.
- Homens e seu costume de "ir devagar" - bebi mais e ouvi seu riso seguido de um suspiro.
Voltamos para o jardim e dançamos mais um monte de músicas eletrônicas. Matt conseguiu me distrair do jeito que eu pensei, e por muitos minutos não lembrei do Justin. Nossa briga foi tão de repente, e completamente sem sentido. Acho fofo da parte dele não gostar que eu beba, mas pra quê falar de um jeito como se fosse tão errado quanto, sei lá, fumar maconha?
Aproveitando o assunto, sempre tive vontade de experimentar qualquer tipo de droga. Um dia me torno corajosa a ponto de fazer isso. Só tenho receio de viciar e não controlar mais a frequência.
- Ana? Hm... Ana? Você está bem? - Matt perguntava, a pista de dança estava um pouco vazia porque a maioria das pessoas foi para a piscina. O olhei, me afastando de meus pensamentos, e sorri.
- Oi?
- Essa aqui é a Barbara, uma colega da faculdade. Faz advocacia também.
- Prazer, Anastasia - falei bem lentamente porque já estou bêbada, do jeito que eu queria. Acho que a partir de agora sou capaz de tomar atitudes sem pensar na droga das consequências. Ela riu, também já tinha passado de seu limite.
Todos daquela festa já tinham passado dos limites, e isso é incrivelmente gostoso de imaginar.
Excitante também.
- O que vocês acham de irmos para a piscina?
- De vestido?
- Não, sua boba, tem que tirar ele e ficar só de lingerie. E aí, topa?
Matt passou a língua pelos lábios e vi que aquilo podia ser minha chance de finalmente seduzir um homem.
- Sim, eu topo. Mas com uma condição: vamos sem o sutiã.
Barbara arregalou os olhos mostrando-se surpresa.
- Já vi que vou gostar de você. QUEM QUER MAIS DUAS SEMI NUAS NA PISCINA?
- É ISSO AÍ, PORRA! - Gritaram todos que estavam lá enquanto eu e Barbara levantávamos nossos vestidos bem rápido.
- Aproveite essa noite como se fosse a ultima de sua vida, Ana. Esse é um lema que carrego comigo, e pela sua expressão vejo que você também deveria usar.
Então é isso: viver como se fosse o ultimo dia em que você respira.
Porque no final pode realmente ser.

Continuaaa ta muito legal!
ResponderExcluir